Review American Horror Story 3x03: The Replacements

“Auto preservação é o maior instinto primário da psique humana.”
                         

Legado. Ninguém é insubstituível e a natureza sempre encontra uma maneira de suprir as ausências e  lacunas. Fiona forçara sua ascensão à Supreme, cortando  a garganta daquela que lhe ensinara tudo. Agora, ela se vê na posição de sua antiga mentora, sentindo seu corpo falhar, morrer, ao mesmo tempo em que sua energia é transferida para Madison. Uma espécie de corrente mantendo vivo o legado do coven.  Sua aproximação com a garota era apenas uma forma de se ver tantos anos atrás, com a mesma energia e vivacidade. Mesmo sendo óbvio que a jovem acabaria morta, o roteiro combinado com a excelente atuação de Jessica Lange surpreendem ao fazer a anciã dar a oportunidade para a iniciante de agir como ela o fizera tantos anos atrás. Além disso, o texto também reforça o quão é valorizada a beleza e juventude, ao mostrar a perspectiva daquela que vê o tempo avançar sobre esses elementos de forma a se sentir descartada, como se sem isso ela não tivesse valor. 


Em uma trama paralela, Zoe resolve levar Kyle de volta para a mãe dele, uma mulher devastada por sua perda e  que quase cometera suicídio ao ser ver sozinha no mundo. Logo de inicio, a mãe do garoto chama atenção com seu hábito de fumar e seu visual alternativo, distante do padrão maternal convencional. Imaginei que ela seria uma mãe relapsa, talvez até violenta de forma que a expressão de Kyle mostrava que ele não queria voltar. Porém, a trama foi mais além, retratando que existia um envolvimento amoroso entre mãe e filho, algo que eu considerei mais como abuso sexual, pois não deveria ser recente e sim algo desde a infância do garoto. A tensão sexual entre os dois teria rendido a cena mais nojenta do episódio, se Queenie não tivesse decidido se masturbar em frente do homem-boi.  O silêncio de Kyle evidenciava que a qualquer momento ele iria explodir, algo que acontece quando em surto ele mata sua mãe. Reafirmo o quanto não gosto desse plot, pois detesto a história de Frankenstein que é certamente o que está inspirando os roteiristas. E até Misty, que tornava o arco interessante, foi removida. Esta, aliás, estava devastada ao ficar sozinha outra vez, e notasse o quanto ela é solitária e perdida.


O alivio cômico ficou por conta de Madame Delphine, pois foi impossível não rir quando ela visualiza pela “caixa mágica” que um negro é o presidente do país, e ainda mais ao vê-la se tornar criada de uma afro-descendente. Esse recurso de pessoas acordando depois de anos em um mundo diferente, dificilmente convence, porém aqui eles conseguiram acertar ao colocar uma antiga senhora de escravos tendo que servir  uma negra. Kathy Batestem tem se mostrado excelente no papel. O interessante deste arco é o a afirmação de Fiona de não tolerar preconceitos.  Já a cena com o surgimento do homem-boi poderia ter sido mais bem aproveitada, mas sua conclusão me deixou constrangido.

Por fim, o feitiço de Cordelia não funcionou e ela se vê obrigada a pedir ajuda a Marie Laveau, inimiga de sua mãe. Destaque para a cena em que visualizamos o ritual em que ela é banhada em sangue, mostrando um aspecto tribal com elementos da cultura negra e a diversidade na trama. Aliás, eu já havia mencionado sobre a excelente produção do show e ressalto mais uma vez a direção que prioriza ângulos superiores ou inferiores, aspectos distorcidos e movimentos progressivos partindo dos pontos de entrada do cenário, repassando uma sensação de desconforto e tensão que ambientam a cena.


                                         

O  episódio apresenta um menor ritmo em comparação aos seus precedentes, mas mesmo assim conseguiu um bom resultado. Na próxima semana, Fiona terá que arcar com as consequências de seus atos em Fearful Pranks Ensue.




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