Review Glee 5x03: The Quarterback

 "Não há lição aqui. Não há final feliz. Não há nada."



Em cinco anos de série, Glee frequentemente incorporou ao seu enredo situações baseadas em fatos reais, atuais e contextualizadas. E essa característica juntamente com sua capacidade de fazer piada de si mesma, sempre foram o diferencial da série que apesar de ser classificada como comédia, por muitas vezes conseguiu emocionar seus fãs.  Em The Quarterback, ficção e vida real se entrelaçam e dividem uma fronteira tênue. A perda é real, assim como a dor pela morte de Cory Monteith. Mas ainda era preciso representar a dor dos fãs, e deixar viva a presença de Finn. Mais do que o desafio de destacar o luto e homenagear a história do ator/personagem, esse episódio também leva o show a lidar com um sentimento desconhecido e pouco explorado nas tramas: o pesar. Apesar disso, o que vimos foi uma homenagem a altura, que levou as atuações ao limite do que é real.




O episódio explora as diversas maneiras de lidar com o luto, pois cada um  possui uma forma pessoal de encarar a perda de alguém amado. Apesar da chegada de Rachel ser o momento mais esperado de The Quarterback, em minha opinião, foi Santana quem roubou a cena. Ela que foi a primeira vez de Finn e com quem manteve uma relação de amor e ódio na terceira temporada, não consegue expressar sua dor pelo simples fato de não querer parecer frágil. Diante desse conflito, ela chega a enfrentar Sue de uma forma que eu nunca vi ser feito, e mais do que isso conseguir deixar a diretora totalmente sem reação.  Nesse ponto, se percebe o quanto os personagens foram retirados de sua zona de conforto, pois logo depois da cantar a belíssima If I die Young, Santana sucumbe diante de sua dor, e recusa o conforto oferecido por Kurt ao preferir ficar sozinha. Muito bonito o gesto deste de lhe dar o casaco de Finn, ao perceber o quanto ela estava sofrendo.


Mesmo não tendo gostado da reação de Puck  ao derrubar a árvore do memorial e sem comentar a constrangedora atuação de Mark Salling, achei tão coerente ele ter buscado conforto naquela responsável por que ele se formasse, a treinadora Beiste. Finn sempre foi mais que um melhor amigo para Puck, também era um guia. Sem ele, este se vê sozinho e sem orientação, como quando acontece ao perdemos aqueles que sempre estão lá para nos dar conselhos. A nova perspectiva do personagem de entrar para o exército é interessante, e torço para que seja dada continuidade nisso.

O retorno de Rachel a Lima foi tão simples que chegou a ser poético. Rachel é sem dúvida a personagem que mais sofre com essa perda, pois Finn era o seu grande amor. Sua despedida foi realmente emocionante, e percebia-se pelas lágrimas no auditório que aquele era o momento definitivo do adeus, que não haveria mais volta. Por diversas vezes, ficou claro a intenção dos roteiristas sobre o futuro de Glee, principalmente quando Rachel revela sua perspectiva de se tornar famosa na Brodway e depois retornar para viver seu amor com  Finn, a essa altura professor do Mckinley. Obviamente, diante dessa  reviravolta toda a trajetória da série terá de ser alterada e o futuro da mesma se torna imprevisível e desafiador.

                                               

O episódio foi realmente muito intenso, mas mesmo assim ouve espaço para piada com Tina sofrendo por não conseguir usar roupas pretas de novo, pois isso a fazia voltar a quem ela era dois anos atrás.  Já os momentos mais emocionantes, ficaram por conta da família Hudson-Hummel e do professor Schue. Como não se emocionar com o discurso de Carole ao se questionar como poderia ser uma mãe se não tinha o seu filho? Ver a família de Burt destruída foi de cortar o coração, principalmente quando eles se abraçam sentados no chão.  E encerrando o episódio, tivemos senhor Schue que se fez de forte todo o tempo para os seus alunos, mas desmorona diante do casaco de Finn que ele roubara, como se aquele objeto fosse o corpo do seu grande aluno e amigo.



Mais do que memorial, The Quarteback representa um divisor de águas para a série. A única perspectiva é a da graduação de Blaine, Tina, Artie e Sam. Depois disso, não se sabe como a Glee irá reagir ou guiar sua trama.

Obs1: Já me incomodou ter os novatos totalmente deslocados e alheios no episódio, mas o cúmulo foi trazer Mike Chang apenas como figuração de luxo.

Obs2:  Não consigo aceitar a ausência de Quinn nesse episódio.

Sobre as músicas:

A escolha das músicas não poderia ter sido  mais adequada. As letras representam exatamente vários aspectos do luto e  eu já tinha ficado contente com o resultado assim que as músicas foram liberadas. Apesar disso, foram as performances que me incomodaram. Acredito que teria sido muito mais interessante ter os personagens cantando sozinhos ou em momentos mais íntimos de luto, do que colocados diante do coral com os novatos fazendo coro. Seasons of Love abriu o episódio de forma encantadora, em uma crescente com os novatos dando espaço aos veteranos. Aqui registro o quanto gosto da voz de Mercedes e suas notas altas se sobressaindo no arranjo. Quando ouvi I’ll stand by you, havia gostado muito do resultado, mas voltando ao problema da performance, ter Mercedes gritando em frente aos novatos não ficou legal. Rain and Fire me lembrou muito Say, do episódio do tiroteio. Adoro If I Die Young desde sempre, então ouvi-la na voz de Santana só fez crescer o meu amor por essa música, que foi a melhor do episódio. No Surrender ficou interessante na voz de Puck, mas a interpretação de Mark Salling olhando para a cadeira me incomodou. Tenho certeza que Make you feel my Love foi a performance que fez todo mundo chorar.

O próximo episódio promete focar na rivalidade entre os fãs de Katy Perry e Lady Gaga.




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