Review Masters of Sex 1x02: Race to Space

“Quando ele chegasse à Lua seria tudo o que ele sonhou? Teria valido a pena o que ele deixou para trás?”

                              

Alcançar o espaço não é fácil, requer sacrifícios, desapego com o passado. A ciência demanda esse compromisso, e o distanciamento sutil dos seus amados é apenas um dos aspectos envolvidos no processo. Basta observar o Dr. William Marters. Ele é um ginecologista famoso e reconhecido, mas seu sucesso tem como preço um total afastamento emocional daqueles ao seu redor, em especial de sua esposa. Virginia é colocada diante em um dilema moral sob a possibilidade de fazer sexo com seu chefe, mesmo relacionando isso a pesquisa, e duvidando dos argumentos que outrora ela utilizara para convencer Jane.  Ela também é testada no sentido de verificar até que ponto do relacionamento familiar ela está disposta a se sacrificar pelo estudo. Como eu disse, o distanciamento começa sutilmente, como o perceber que o livro preferido de seu filho fora lido por outra. Virginia é uma representação da mulher moderna, e quão atual é seu drama ao se ver desempregada, sozinha, lidando com a criação dos filhos ao mesmo tempo que não encontrava quem cuidasse destes para ela poder trabalhar.

William demitira Virginia sob a justificativa de que ela comprometera a pesquisa ao se envolver com Brent, mas na verdade ele é que o fizera mesmo que não intencionalmente ao se sentir atraído pela assistente. Atração que vai de encontro não apenas a sua moral como homem casado, mas que parece perturbar seu caráter controlador. E  é nesse confronto de personalidades que os dois funcionam. O que ele não contava é que Virginia é necessária, pois seu tom frio o impede de se aproximar de suas cobaias, diferentemente de daquela que consegue vê-las como pessoas e argumentar de forma a persuadi-las.


Quem se vê perdendo sua corrida ao espaço é Libby. É notável o quanto ela se esforça pelo seu casamento. O abismo que a separa de seu marido, tão frio e incapaz de agir carinhosamente com ela,  a fazem sofrer. Caitlin FitzGerald consegue expressar com olhar esses sentimentos vividos pela personagem que aceita os estudos do marido serem realizados em um bordel, após o veto do hospital sobre as experiências envolvendo casais. E como é incômoda a cena em que ela se propõe a se masturbar em frente ao marido, se isso o fizesse feliz. William sente algo por ela, talvez não seja amor, mas prefere manter uma imagem poética da esposa, como se a possibilidade de fazer sexo com ela a vulgarizasse.  Ela por outro lado, enxerga neste distanciamento a não correspondência dos seus sentimentos. Essa situação me comove é me faz querer que ela o abandone e consiga ser feliz com outro alguém.

Betty ganha um significado na trama, pois além ser a responsável pela transferência das pesquisas para o bordel, também visualiza uma perspectiva de mudança de vida. Não há como culpa-la por, mesmo sendo lésbica e amar outra mulher, querer ter filhos com o homem que desconhece o seu passado de prostituição. Ela sabe que estará sozinha ao fim da vida se continuar onde está, e por isso almeja reverter a ligação de sua trompas, ao mesmo tempo que vislumbra a possibilidade de ter uma família, talvez um ambiente que ela nunca tivera. Mesmo que isto custe sua liberdade.



Ethan almeja recuperar as sensações perdidas. Tantas vezes na vida queremos reviver experiências, e nos lançamos nessa tentativa. A relação com Virginia deixou impulsos sexuais em sua mente que ele deseja satisfazer, porém as pessoas se comportam  diferentemente no sexo e suas parceiras não conseguem fazê-lo recuperar o prazer que ele experimentara. Interessante como ele vai da garota incomodada diante do pedido de sexo oral à mulher que se submete a várias posições e vontades, e mesmo assim  não se satisfaz, chegando ao ponto de vigiar Virginia em frente a casa desta. Situação parecida na qual encontram-se Jane e Austin, ao serem retirados do estudo ao mesmo tempo que sentem uma atração entre si, um sentimento que confronta o dilema moral da secretária ao sentir isso por um homem casado.

Além da trama e seus personagens complexos, é impossível não se deixar envolver pela qualidade dos cenários e da ambientação, retratando toda elegância dos anos 50. A série tem se desenvolvido de forma excelente.



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