Review Masters of Sex 1x03: Standard Deviation

“Humanos transformam o impulso sexual em um ritual irreconhecível. Romance, cavalheirismo, regras de etiqueta... E se pudéssemos ir direto ao que importa?”



Quando se trata de sexualidade, qual padrão de comportamento seria considerado aceitável a fins de estudo? Considerando uma sociedade conservadora, uma aposta seriam casais héteros, monogâmicos, entre 18 e 35 anos, ativos sexualmente, entre outros aspectos. Logo, uma pesquisa sobre sexualidade envolvendo prostitutas e homossexuais, pelo menos nos anos 50, seria desacreditada pela comunidade científica, tão centrada em normas e conceitos.  Para o primeiro grupo o argumento baseia-se nas práticas constantes, tendência em fingir reações e exposição à doenças sexualmente transmissíveis. Alguns ficariam surpresos ao descobrir que o conceito de promiscuidade da Organização Mundial de Saúde (OMS) corresponde a possuir mais de três parceiros sexuais por ano, o que diria cinco por dia. Já o segundo grupo, vista como uma anomalia pelas palavras do Dr. Masters, foge ao escopo do considerado normal e real. Interessante é como 40 anos depois, a referência a esse grupo continua a ser utilizada por religiosos e pessoas contrárias ao tema. E pelo que parece, pouco se conhece dos estudos envolvendo homossexualidade.


Diante deste desvio padrão, William consegue mais do que reestruturar sua pesquisa de volta ao hospital, pois é em Standard Deviation que ele finalmente se afirma como protagonista, mostrando uma personalidade complexa e além da característica apática já conhecida. Ele se demonstra forte e decidido ao chantagear o reitor, aquele que lhe ajudara a construir sua carreira lhe dando mais que conselhos e sim uma oportunidade. Seus argumentos velados,  ao citar o envolvimento de homens casados com garotos de programa, tornam-no complexo, mostrando que na vida real todos somos vilões em algum momento da história. Na viagem ao passado do médico, percebe-se a versatilidade de Michael Sheen que representa de forma excelente a empolgação e euforia da juventude, diante de uma ideia. E isso me deixou curioso para saber o que alterara tanto sua personalidade. Ele já era brilhante naquele tempo e se esforçou arduamente para alcançar o sucesso, mas ao mesmo tempo perdeu parte de si, pois ao colocar os anos 40 e 56 em perspectiva nos possibilita ver duas versões do mesmo homem.

E a pressa é destacada em Ethan ao desejar fazer uma cirurgia que ele não estava preparado para assumir, pois o nascimento de quádruplos representava um risco para as pessoas envolvidas e ainda hoje é divulgada na mídia. O hospital age corretamente ao colocar o Dr. Masters a frente, porém deveria ser dada a chance ao rapaz de auxiliar na cirurgia, afinal ele fora o ponto de partida do caso.

Sobre as mulheres da série, mais uma vez me cativei pela atuação de Caitlin FitzGerald ao sucumbir diante da possibilidade de não conseguir engravidar e dar a William uma família. E sua reação ao descobrir que fora enganada pelo marido, não evidenciando sua descoberta, mas ao mesmo tempo sem conseguir olhar nos olhos dele estava excelente. Até o tom de voz estava adequado. Porém, por fim ela consegue realizar o seu maior desejo e conseguir engravidar, ignorando o acontecido.

Virginia começa a ter conflitos com William. A atitude do médico ao colocá-la no lugar de assistente é arrogante, mas é cabível afinal ela não possui experiência na área, um  campo tão masculino no qual o preconceito com as mulheres passa a ser retratado pela chegada da doutora DePaul. Virgina inclusive deixa seus sentimentos a guiarem no episódio ao se deixar comover história sofrida das prostitutas e a dor vivida por Libby. Obviamente podemos esperar mais tensão, quando Masters descobrir que ela revelara à sua esposa a informação sobre a contagem de espermas que impossibilitava uma gestação.

Enquanto Libby vê seu sonho concretizado, Betty caminha em uma direção contrária ao descobrir não poder engravidar, devido a uma inflamação nas trompas causada por uma infecção, provavelmente contraída devido a seu trabalho na prostituição.  Seu caráter forte e ousado a impedem de voltar atrás, e mesmo sabendo que não pode realizar a vontade de seu marido, ela continua decidida a se casar sem contar a verdade a este.

Um fator notável de Standard Deviation é o aspecto cômico inserido que se alterna perfeitamente ao drama vivido pelos personagens. Tivemos masoquismo, as entrevistas com prostitutas, garotas sem saber utilizar uma camisinha (instrumento pouco conhecido na época), e o Dr. Masters desconfortável ao assistir sexo entre homens. Tudo ritmado e elaborado.
                                   
O episódio já abre a possibilidade do envolvimento entre Virginia e William, e a seguir vemos que a chegada de um novo homem promete conturbar esse relacionamento.




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