Review Once upon a time in Wonderland 1x01: Down the Rabbit Hole

"Desejos podem ser imprevisíveis."



Antes de mais nada, quero declarar o meu amor pela história de Alice no país das maravilhas, de forma que apenas por isso aguardei com ansiedade o spin-off de Once upon a time, mesmo sabendo da potencial destruição na fábula gerada pelos péssimos efeitos especiais da produção citada. Mais do que gostar desse conto de fadas em específico, a ideia de ver Alice crescida considerada louca após retornar de sua viagem a Wonderland chamou minha atenção, afinal nada mais coerente do que interna-la em uma instituição psiquiátrica diante de sua insistência em ter conhecido um coelho falante ou um gato que vira fumaça.





Dessa forma, o piloto possui um bom ponto de partida ao colocar Alice diante de seus médicos sendo questionada sobre a veracidade de suas experiências. Destaque para direção da cena com movimento da câmera em direção a personagem ou passando por objetos da sala, dando a sensação de claustrofobia e enclausuramento vividos pela garota. Esta inclusive se dispõe a esquecer suas viagens, negando sua realidade ou que ela acreditava ser real para se ver livre daquele lugar. Colocar os flashbacks do país das maravilhas também foi excelente, pois serviu para introduzir Cyrus, o gênio da lâmpada por quem Alice se apaixona e que lhe concede três desejos. Não comentarei ainda os chroma key horrendo da cena em que Cyrus é jogado do penhasco após declarar seu amor, mesmo a batalha entre os soldados da Rainha Vermelha e os dois amantes ter sido bem coreografada. Ressalto o quão atraente foi a inserção do personagem nessa posição, misturando os contos de Alice com o de Aladim. Trazer o gênio da lâmpada como protagonista, nos da a possibilidade de saber mais sobre sua história e personalidade,algo não explorado na versão da Disney que sempre o colocou como um escravo dos desejos de outros. Isso obviamente foi inserido na série, mas é esse evidenciar personagens secundários dos contos que deram destaque a Once upon a time e também é atrativo em seu spin-off.

Alice consegue fugir da clínica com a ajuda do Valete de Copas, que estava em Storybroke mas se lança nessa missão de resgate, após o pedido do Coelho Branco. Se entendi bem, ele viaja no tempo até a Inglaterra dos anos 50 para resgatar Alice, o que é um pouco confuso pois não sabia que isso era possível em Once. Mesmo indo salvar Alice, esta consegue derrubar todos os guardas sozinha o que só me fez gostar mais da personagem, pois ela se distancia de uma mocinha indefesa e irritante que potencialmente poderia ter se tornado neste contexto de conto de fadas. Em diversos momentos, ela mostra uma personalidade desafiadora, coerentes com a criança curiosa do clássico infantil e que a fazem se sobressair à vilã, que teria tudo para se destacar, mas eu comentarei adiante. 



Até esse ponto, a série estava me conquistando, mas foi a ida para Wonderland que mudou tudo. Obviamente, eu sabia que a produção herdaria os péssimos efeitos da sua geradora, porém a questão é que em Once upon a time o chroma key era eventualmente usado,e a maioria do enredo se passava no mundo atual, o que dada a trama instigante nos fazia relevar esses detalhes. Já no spin-off, a proposta é que a história aconteça em Wonderland o que exige dos telespectadores,ver a trama se desenvolver em um cenário digno dos filmes da sessão da tarde, em que é óbvio a separação física entre o ator e o cenário. Teria sido muito mais prudente, dadas as condições da produção, tê-la realizado na Inglaterra da década de 50, pois até os animais poderiam ter sido representados por humanos, como fora o Grilo Falante em Once.

Além do problema do cenário, nesta mudança também começam a surgir justificativas infundadas e que desapontam na contextualização. O Coelho trouxe Alice de volta pois está sendo ameaçado pela Rainha Vermelha que almeja ter os desejos concedidos à jovem. Desejos, representados por rubis, não podem ser roubados, precisam ser doados. A rainha deseja ter as pedras para entrega-las a Jafar. Enfim, tudo isso pareceu absurdo e sem sentido. Ter o coelho como traidor deturpa sua personalidade e sua imagem na série. Por que a rainha vermelha não simplesmente captura Alice a força-lhe a entregar os desejos ameaçando a vida de seus amigos? Por que Alice não usou os seus desejos esse tempo todo? A justificativa de que estes podem ser imprevisíveis não se vende dada a situação em que ela se encontrava, na qual os desejos eram tudo o que possuía. Ao meu ver me irrita a possibilidade de que a temporada ser baseada na perseguição à jovem, enquanto esta tenta encontrar o seu amor desaparecido.

Não querendo continuar a falar mal, mas a Rainha Vermelha e Jafar  estavam péssimos. Não sei se era a intenção, mas a atuação de Emma Rigby e Naveen Andrews estava caricata, que combinada ao péssimo cenário,chegaram a me constranger. Impossível não comparar com Lana Parrilla que roubava a cena em Once upon a time, em sua primeira temporada. E a Rainha vermelha é um personagem com mesmo potencial, mas não foi o caso aqui.

Diante disso, o Valete se destacou e chegou a ser intrigante, pois sabemos do seu caráter duvidoso e que ele é procurado em toda wonderland por crimes não revelados, mas que representam um possível desenvolvimento para o personagem. Além disso, é óbvio que caso a série tenha continuidade, ele formará um triângulo amoroso com Alice e Cyrus. Pois porquê motivo ele teria resgatado Alice, se não tivesse sentimentos pela garota?

                  


Por fim, quero falar do Gato Risonho que é o meu personagem favorito em todo conto. Trazê-lo como inimigo de Alice, tentando caça-la ao se ver faminto, apesar de não ser o que eu esperava, foi uma estratégia interessante, pois mostra o quanto wonderland mudou e está mais sombria.O que eu não entendo nesta cena em que ele persegue a garota, é como ela cai de cima de uma árvore e não se machuca, ou como mesmo o gato tendo usado suas garras contra ela duas vezes, ela não possui nenhum corte, nem na roupa. Tudo muito infantil, como um desenho animado que é como a série poderia ser classificada.

                                          

A saga de Alice termina na casa do Chapeleiro maluco, mesmo sem a presença deste. Inicialmente, a proposta era da série ser sobre ele, dada o encantamento gerado pelo personagem já na primeira temporada de Once upon a time, em grande parte pela atuação alinhada de Sebastian Stan. Porém, os compromissos do ator com outros projetos fizeram a série alterar seu foco principal, e o chapeleiro deverá aparecer apenas em participações especiais. Espera-se. O episódio em si, termina mostrando aquilo que já era óbvio, ao apresentar Cyrus vivo ao ser feito prisioneiro de Jafar.

Em linhas gerais,o piloto não me agradou, pois acredito que eu não corresponda ao público ao qual a série está direcionada, mas continuarei  assistir na esperança de que melhore e represente de forma digna o conto de Alice no país das maravilhas.


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