Review Once upon a Time in Wonderlard 1x02:Trust Me

"Você realmente acredita que o amor é forte o suficiente para nos dar liberdade?"




Em uma era de vilanismo de da valorização do anti-herói, Once upon a Time in Wonderland consegue aquilo que poucas séries alcançam, realçar seus protagonistas e os transformar nos personagens mais interessantes da trama.Mais do que isso, o show consegue trabalhar uma história de amor impossível, um gênero já tão desgastado, de uma forma poética e delicada que é impossível não torcer pelo casal ao assistir Trust Me

Confiança é o foco do episódio no qual todos almejam possuir a lâmpada de Cyrus para poder controlar o gênio. Enquanto isso, os flashbacks explicavam a história do amor deste com Alice, desde o seu primeiro encontro até o momento em que decidiram ficar juntos. O que dá pra dizer é o quanto a dinâmica dos dois funcionou dentro deste recurso, ao passo em que eram apresentadas suas percepções sobre o mundo. A do gênio, um escravo dos desejos, que não poderia se apegar a lugar ou pessoa alguma pois não tinha controle sobre sua existência e é um mero funcionário sem vontades. E a de Alice, uma menina curiosa, desacreditada na sua realidade, mas que encontrava um companheiro sábio devido suas experiências, mas ao mesmo tempo inseguro de se apaixonar pela garota devido a sua condição prisioneira.

Além de corajosa e emocionalmente forte, Alice também demonstra inteligência ao testar em quem poderia confiar anunciando uma falsa localização para a lâmpada. Não dá para entender porque ela desconsidera a presença do coelho em sua busca, afinal este é que a levara até lá. Outro fator distorcido, eu diria, é que Cyrus deveria estar preso à sua lâmpada, agindo esta como uma prisão, pois quem possui a peça, controla o gênio. Porém, o gênio e sua amada escondem o artefato, de forma que Cyrus consegue sobreviver mesmo distante do objeto. 

A jornada também realça o Valete de Copas que é jogado em pleno mar pela fada que abandonara em Wonderland. A interação dele com Alice também funciona muito bem, e este age como uma bússola dos sentimentos da garota quando esta perde a fé em seu amado, ao acreditar que este revelara a localização da lâmpada e seguira em frente. "Quando alguém realmente te ama, ele nunca segue em frente", ele argumenta ao tentar fazer a garota acreditar em seus sentimentos. Sua própria personalidade passa a ser destacada, ao mostrar que ele não é apenas um bandido procurado, mas alguém de coração partido por um amor não realizado. Interessante como a tristeza de Alice não se dá apenas pela possibilidade de ter sido abandonada, mas é reforçada pelo que ela já vivera ao ser deixada para trás pelo seu pai em uma instituição psiquiátrica. Esse aspecto triste de sua vida, combinado a sua personalidade forte só reforçam seu carácter, tornando-a complexa e real. E como foi cativante e delicada a comunicação utilizando um pássaro de papel, entre ela e seu amor. Porém, acreditava que Cyrus poderia ter dito no bilhete onde está aprisionado.

                         

Por fim, quero comentar do núcleo mega evil de vilões que ainda não parece encontrar um tom adequado. A manobra da Rainha Vermelha ao utilizar a informação do Coelho Branco e tomar a lâmpada para si foi sem dúvida inteligente, pois a coloca em pé de igualdade com Jafar. A interação dos dois, na qual e ela se via manipulada por este, estava incomodando afinal ela é um a rainha. Apesar disso, o núcleo ainda precisa de ajustes para convencer na trama.

Sobre o aspecto técnico que muito angustiou na premiere, pelo menos em Trust Me, vê-se que optaram por utilizar uma floresta real com cogumelos de plástico gigante e cenários construídos, o que funcionou muito melhor no contexto. Os efeitos ruins ainda estão lá, mas em termos de trama, o episódio conseguiu minha atenção.


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