Review Sleepy Hollow 1x02/1x03: Blood Moon/ For the Triumph of Evil

"Antes dos quatro cavaleiros chegarem, um exército do mal abrirá caminho para a chegada deles."



Enquanto o apocalipse não chega, a solução para Sleepy Hollow é utilizar tramas isoladas para dar sobrevivência a série. Não que isso seja algo ruim, afinal é mais prudente não utilizar demasiadamente a figura do cavaleiro sem cabeça, que não deu as caras nestes dois episódios. A questão é que o recurso funciona quando bem utilizado, o que foi o caso aqui.




Em Blood Moon, a trama se volta para o retorno da bruxa Serilda, condenada a fogueira nos tempos da Guerra de Secessão, mas que antes de sua morte conjurou um feitiço pautando a reconstrução do seu corpo nas cinzas da linhagem de seu carrasco. Seu retorno acontece coma a ajuda de Andy, o policial morto pelo demônio no final do episódio passado, mas que é trazido a vida pelo seu assassino em um cena inquietante, não pelo pescoço torcido do personagem e pelo clichê das luzes explodindo, mas pela sonoplastia forçada. Mais uma vez, não se justificou os serviços do ex-policial, até porque não acho que será dada profundidade a ele, que simplesmente desaparece na sequência.

Enquanto Serilda coletava as cinzas necessárias para sua reconstrução, Abbie começa a questionar suas experiências. Como Crane foi diagnosticado com um distúrbio de personalidade, percebe-se que ela se vê diante de um conflito entre acreditar no que vira ou negar sua realidade, algo coerente com a personagem visto que ela já tivera esta atitude sobre seu trauma na floresta. Além disso, o episódio nos permite observar o que acontecera com ela depois disso, e que seu estado de  negação quase a levou para a cadeia. Muito bonito o gesto do antigo xerife em ajuda-la a se construir como pessoa, e por isso evidencia-se o quanto a morte deste é sentida por ela. Além da profundidade dada a Abbie, Blood Moon também começa mesmo que sutilmente a estreitar a relação dela com Crane, algo representando pelas conversas sobre antigos relacionamentos, um assunto desconfortante para ambos. 

Os efeitos especiais foram o ponto fraco do episódio. Mexer com fogo é sempre complicado, ainda mais quando precisa-se caracterizar uma pessoa queimada, e este aspecto combinado com a atuação da atriz que representa a bruxa chegaram a incomodar em alguns momentos. Um detalhe é o mundo subterrâneo da cidade, na qual os túneis datados de 1774 encontram-se bastante conservados e limpos, com estruturas firmes até mesmo diante de explosões em seu interior.

Mesmo concluído de forma simples, o episódio abre a possibilidade de que Katrina seja libertada do lugar onde está prisioneira. Além disso, já conhecemos Jenny, irmã de Abbie, no qual se sustenta a trama da sequência.

Já  For the Triumph of Evil  baseia-se em uma lenda indígena sobre um espírito dos sonhos primo parecido com  Voldmort que atormenta suas vítimas como punição por maus atos. No caso em específico, ele volta por aqueles que mesmo sabendo da veracidade das palavras de Jenny ao descrever que vira um demônio na floresta, preferiram negar a teoria mesmo quando a garota foi internada em um sanatório. Obviamente, Abbie estava na linha de fogo e não poderia dormir até acertar as contas com seu perseguidor. 

O enredo sobre o espírito dos sonhos é atraente, mas era óbvio que Abbie não iria morrer. Apesar disso, a trama funciona por duas coisas. A primeira é  fazer a tenente enfrentar os erros de seu passado e se dispor a acertar as contas com a irmã, com a qual não mantém contato. A relação das duas promete ser explorada, principalmente agora que Jenny fugiu da clínica. Nota-se o quão sutilmente os roteiristas realçam uma ligação do sobrenatural com as duas, fato esse reforçado pela conversa de Abbie com seu antigo superior, ainda no episódio anterior, e a premonição em sonho que ela tivera antes da morte da Vega. O segundo avanço é o estreitamento da relação entre ela e Crace, comprovada pelo fato deste resolver acompanha-la ao mundo espiritual em seu confronto pela vida. Isto já começa a suavizar a dinâmica dos dois, de forma que Crane passa a não me incomodar tanto com seus modos provincianos. Só achei que nesta viagem, ele acabaria encontrando Katrina, mas esta não apareceu. 

                              

A questão é que mesmo com essas tramas soltas, a série consegue avançar discretamente em seu arco central. Em termos de audiência, o show tem alcançado bons índices, tanto que conseguiu sua renovação já na terceira semana de exibição.

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