Review Sleepy Hollow 1x04/05: The Lesser Hey of Solomon/John Doe

“Estas horas são os movimentos finais de uma sinfonia escrita séculos atrás.”

                                

Depois de dois episódios de tramas isoladas, Sleepy Hollow volta a caminhar rumo ao seu arco central, trazendo mais um dos cavaleiros do apocalipse e principalmente elegendo o inimigo na história.

O grande destaque de The Lesser Hey of Solomon foi a presença de Jenny, irmã de Abbie que havia fugido da clínica psiquiátrica na qual estava internada.  A presença dela só fez acrescentar a trama, de forma a suplantar totalmente Ichabod e por muitas vezes me fazer desejar que a série altera-se seu foco principal. Obviamente, uma mudança dessa espelharia muito o show em Supernatural e seria muito criticada. A questão é que Jenny assim como a relação com sua irmã é complexa, firme e delicada de uma forma envolvente e torço para que ela retorne.  Além disso, inseri-la na história realçou a personalidade de Abbie, forçando-a a acertar as contas com seu passado e com seu futuro. A perspectiva posta por ela no fim do episódio de que ela e Crane serem testemunhas do apocalipse evidencia a mudança em sua mente em relação a suas experiências.


Aliás, referências bíblicas dos livros do apocalipse e das revelações pautaram o episódio, sendo este focado na busca pelo livro de feitiços do Rei Salomão e a tentativa de abrir um portal para o sétimo círculo do inferno, liberando 72 demônios.  Toda a sequência que vai da busca por Jenny, passando pela cabana do antigo xerife até a igreja foi bem construída. E a passagem pelo antigo lar adotivo da garota, revelando um pouco do amargo passado dela ao ser mal tratada no local, só serviu para destacar o dano causado na construção de sua personalidade. Outro ponto interessante é o personagem do xerife Corbin, que poderia ter sido esquecido após sua morte, mas que encontra uma forma coerente e ao mesmo tempo sutil de se manter presente na série. Pode parecer pequeno, mais gostei desse realce na trama.

                                       

O episódio também levanta a existência dos Hessianos, uma espécie de sociedade voltada para artefatos antigos, e que serve ao propósito do apocalipse. O interessante desse plot é a pegada The Following, criando um clima de insegurança e desconfiança que pode funcionar na trama, principalmente se justificarem adequadamente as motivações destes soldados. Eles estão espalhados por todo lugar na cidade e você não sabe quem são.

Um aspecto sutil por diversas vezes mencionado é número de mortos na cidade (que até agora está em sete). Ainda não sei ao certo se isso será algo relevante na trama, mas desconfio que isto possa estar relacionado à volta de Moloch, em uma espécie de tributos construindo seu retorno. Um argumento reforçado pela fala do Hessiano ao dizer que cada monstro liberado fortalece o demônio.


O grande trunfo do episódio cinco,intitulado John Doe, é trazer à cidade a presença mesmo que discreta do Cavaleiro da Pestilência. Logo no início a presença do pequeno inglês perseguindo uma menina me fez pensar que aqueles seriam Ichabod e Abbie, devido a semelhança das crianças com estes. A doença misteriosa do garoto e contaminação só fez me intrigar mais, principalmente com a inserção da Coordenadoria de Controle de Doenças, pois isso demonstra que Sleepy Hollow não esta isolada, contextualizando-a num cenário atual.  Porém foram as justificativas e também a falta destas que deixaram a desejar.

O ressurgimento do cavaleiro pautado na infestação da doença seria até aceitável, diferentemente da existência da primeira colônia colonizadora dos EUA localizada na floresta da cidade, e a necessidade de que um de seus habitantes fosse o vetor da contaminação. A colônia some e desaparece sem explicações, assim como não se justifica quem (ou o que) era a menina que atraiu o garoto para fora da segurança de sua tribo.  Enfim, quando Crane lançou sua teoria sobre a colônia original, torci para que a trama fosse guiada em outra direção, mas não aconteceu e grande parte do enredo por trás disso pareceu confuso. Até a solução para o problema não me convenceu, pois bastava levar o menino de volta para um lugar que sequer existia. Enfim. Apesar disso, a doença de Ichabod e seu estado de quase morte fez com que Katrina voltasse à cena, e ainda conseguisse explicar sua prisão como o purgatório. Essa referência se soma a mitologia da série, e torço para que volte a ser utilizada na trama. 

Sem seu parceiro, Abbie se vê tendo como única opção a fé. Testar esse aspecto da personalidade dela, colocando-a em conflito diante da situação poderia até ser atraente, mas não entendo como ela ainda é cética diante de todas as experiências que passou nos últimos dias. Toda a movimentação, também a fazem sentir insegura em perder Crane para a colônia, mas a relação dois ainda não me empolga. Mesmo com essas ressalvas, o episódio é considerado bom pois além de voltar sua história para o arco central, também está alinhado com a proposta que até agora tem se mostrado consistente.

 A série entra em um hiatos de três semanas, mas pela promo, percebe-se que teremos mais Katrina, Jenny e o Cavaleiro sem cabeça, além da presença do Dr.Walter John Noble e da noção do fato de que Crane e o cavaleiro estão ligados, e que a morte de um resulta na do outro.


0 comentários:

Postar um comentário