Review The Tomorrow Peaple 1x03: Girl, Interrupted

“Eu estou feliz em não fazer parte do mundo.”


Depois de dois episódios medianos, The Tomorrow Peaple finalmente conseguiu elevar o nível de sua trama,trazendo uma narrativa com maior profundidade do que os demais.  A grande responsável por esse fato é Cara que em Girl, Interrupted passa por um arco emocional envolvendo seus traumas e a sua percepção em relação à raça humana.

Logo de inicio, somos levados ao passado da garota, que assim como Stephen no piloto, era tida como socialmente excluída, sendo retratada como muda e tímida. Sem ter conhecimento de seus poderes ela mata acidentalmente um jovem que tenta lhe estuprar, se tornando uma fugitiva. Dessa forma, os roteiristas edificam sua personalidade justificando sua insegurança e medo sobre esses elementos de culpa, solidão e afastamento de sua família. Tudo isso se encaixa perfeitamente com a falta de controle de sua telecinese que ela vinha experimentando, ao ter sua mente invadida por ruído de pensamentos das pessoas ao redor. O plot teria encerrado de forma excelente se, depois de capturada pela Ultra, ela realmente tivesse perdido suas habilidades, retirando o desconforto gerado pela falta de controle e ao mesmo tempo a colocando na condição de humana, uma raça que ela aprendera a desprezar. Mas obviamente isso não aconteceu.

Ainda não tinha sido mencionada a existência de uma “cura” para as pessoas do amanhã, e o surgimento desse fato me fez questionar qual a necessidade de eliminar a espécie, quando a Ultra simplesmente poderia reabilitá-los e julgá-los pelos crimes praticados, algo mais aceitável do ponto de vista governamental. A única justificativa seria a tentativa de evitar a descoberta das pessoas do amanhã, gerando insegurança na população.  Ainda sobre a Ultra, muito apropriado é o fato do Dr. Price não se deixar enganar, pois além de descobrir a invasão em seu banco de dados, ainda foi esperto o suficiente para usar isso em uma armadilha que resulta na captura de Cara. Isso mostra que ele está um passo a frente, não sendo estúpido no papel de vilão. Ele sabe que Stephen é um agente duplo e pretende usar isso a seu favor. Destaque para a nova parceira deste, agente Nichols, que parece ser uma personagem interessante.

Enquanto Cara não conseguia controlar suas habilidades, Stephen vivia o dilema entre interferir ou não nas vidas ao redor, tendo conhecimento das informações dos pensamentos alheios. O drama de Lucy que causara acidentalmente a morte da irmã e diante de sua culpa pretendia tirar a própria vida, se encaixou perfeitamente com o dilema vivido por Cara. De forma que diante de sua mudança de percepção, esta assume para si a responsabilidade de salvar a garota. O relevante nesse plot é o fato de que Stephen fora alertado durante todo o episódio de que a intervenção resultaria em uma exposição de suas habilidades. A atitude de Cara parecia eliminar essa possibilidade, porém mesmo assim a situação leva Astrid a descobrir as capacidades especiais do amigo. Com isso, a relação dos dois, tão delicada até então, sofre uma abalo.



Algumas considerações devem ser feitas a respeito dos poderes, e os roteiristas parecem não encontrar uma fronteira para o uso destes, pois Cara mesmo fora do prédio da Ultra podia sinalizar a presença de pessoas e se comunicar com Stephen. Além disso, o recurso de parar o tempo foi utilizado de forma simplória na trama, e o jovem já consegue dominá-lo perfeitamente.  


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