Review Glee 5x04: A Katy or a Gaga

 


A impressão que dá é que Glee parece não possuir a metodologia na execução de seus episódios e os roteiros são construídos em uma espécie 'o que tem pra hoje'. E é incrível como isso funciona bem na série. Em A Katy or a Gaga, o texto reflete a rivalidade entre os fãs das cantoras pop Katy Perry e Lady Gaga logo do lançamento dos singles Roar e Aplause, em agosto desse ano. Porém, apesar das cantoras estarem sendo homenageadas, suas personalidades são utilizadas como plano de fundo e motivação para explorar as identidades dos personagens. Os Katy são retratados como o sinônimo da delicadeza e pureza (a típica garota da porta ao lado), enquanto os Gaga representam a irreverência e revolta.

Samzinho é o grande destaque dessa batalha de identidades, pois gostando da enfermeira Penny, começa a encarar um distanciamento natural em razão de suas diferenças de idade e preferências. Enquanto ele está no ensino médio e gosta de programas da Nickelodean que ela sequer conhece, Penny está ocupada com aulas da universidade, saindo com seu ex namorado bad boy e colocando tatuagens e pircings em seu corpo. A relação dos dois soa algo como Eduardo e Mônica, e pode não empolgar tanto como Bran, mas não irrita como Samcedes. Motivado a provar que não é tão criança, Sam decide utilizar uma atitude Gaga e legalizar a loucura em uma performance musical assustadora, estranha e controversa. Porém o resultado acaba sendo o contrário e Penny admite ser uma grande fã de Katy Perry e que estava fingindo um estilo alternativo apenas para tentar romper com os rótulos que a taxavam inocente e ingênua. E é assim, admitindo suas vulnerabilidades que os dois conseguem se reconhecer e ficar juntos de uma forma muito cativante. Chord Overtreet estava perfeito em sua atuação, falas e expressões.



Marley não consegue se adequar ao time Gaga imposto pelo senhor Schue, e acaba surgindo fantasiada de Katy Perry em plena apresentação de Aplause, de modo que o professor tem a insanidade de suspender a garota por não usar um biquíni. Obvio que ela poderia ter utilizado outra fantasia, porém sua atitude representa sua afirmação como pessoa. Ela é doce, burra e delicada e não pretende mudar sua personalidade por nenhuma apresentação ou nenhum rapaz. O que leva ao segundo conflito da garota, dessa vez com relação à Jake que já cansou de apenas ir a filmes românticos e passear no shopping, e quer fazer a relação evoluir. É até compreensível a motivação do rapaz, antes tido como pegador, afinal o propósito de estar em um relacionamento sério é justamente permitir maior intimidade. O que não se justifica é ele trair a namorada com Bree em função disso. Se ele queria sexo, ou esperasse ou terminasse com a namorada antes. Por outro lado, Marley tem todo o direito de se recusar a romper com sua personalidade e também de manter sua virgindade. Pode parecer absurdo, mas a garota passa ser odiada pelo público por se manter com essas características. Vivemos em um mundo onde a vingança e a revolta é que são valorizados. 

Em Nova York, Kurt prossegue com sua absurda e ilógica ideia de montar uma banda. Afinal, o que ele quer da vida? Seu sonho não era a Broadway? Porém, nas audições para participantes apenas um candidato aparece, Elliott, e acaba deixando Kurt ameaçado pelo seu estilo, presença e voz. Não conhecia o trabalho do menino Adam Lambert e é realmente impressionante o talento do rapaz. O personagem dele estava programado para ser uma drag queen, mas foi reajustado a pedido do ator. Ameaçado, Kurt acaba descartando o rapaz, mas volta atrás em sua decisão após os conselhos de Rachel. E a interação Kurt-Elliott funcionou tão bem que até sugere abalar Klaine. Apesar disso, a proposta da banda com cinco vocalistas é confusa, até por que Santana, Rachel e Kurt possuem outros objetivos também.

Ao que parece, a trama de Glee deve caminhar no sentido de se fixar em Nova York, fatos indicados pelas adições nesse núcleo. Para quem assiste ao show desde o inicio, está obvio um distanciamento entre os dois núcleos. Rachel e companhia se demonstram mais adultos e longes dos comportamentos vividos em Ohio. O roteiro entre esses segmentos nem se propõe a se integrar mais. A questão é que o público de Glee cresceu e demanda histórias mais adultas que é o que Nova York pode proporcionar. Apesar disso, ainda é na escola que a produção consegue manter sua essência como o foi neste episódio. Em termos de audiência, o show marca seu pior índice.

Obs: Becky roubando a cena.

As performances foram poucas, mas se encaixaram perfeitamente no episódio.

Marry The Night, Lady Gaga- Elliott: O menino Adam Lambert possuído em suas expressões e mostrando todo o seu talento. A reação de Santana me representa não apenas para esta música, mas para todo episódio.



Aplause, Lady Gaga - Sam, Artie, Blaine, Ryder e Marley: Uma das melhores coisas que Glee já fez. As fantasias de certa forma perturbadoras e a presença de uma Katy Perry saltitante rompendo com o contexto, realçou a performance de forma extraordinária. Destaque para Artie sempre muito afinado.



Wide Awake, Katy Perry- Kitty, Jake, Unique e Tina: é incrível como Kitty aprendeu a cantar nesta temporada. Ela teria sido o destaque da canção se a voz de Jacob não fosse sinônimo de perfeição. A alteração do arranjo original deixou a música com um tom bastante delicado e bonito.



Roar, Katy Perry- New Directions: Teria sido mais interessante selecionar alguns para cantar ao invés de todo mundo em coral. O único destaque é o roar da Demi Lovato que foi subaproveitada em todo episódio.