Crítica Awkward 3x15-3x20: A Very Special Episode of Awkward-Who I Want to Be

“Eu não me amei o suficiente para deixar você me amar.”


Depois de uma temporada controversa, Awkward conseguiu justificar as ações arriscadas de seu roteiro e ainda concluir de forma coerente, encantadora e surpreendente, pois toda a trajetória da protagonista se explica como uma busca por sua identidade e o alcance de uma maturidade nunca antes visto na personagem. Mas antes de escrever sobre a finalle, vamos discutir sobre todos os episódios que eu não pude comentar.

A very special episode of Awkward é sem dúvida o melhor episódio da temporada. E quando o assisti a minha resposta para what we gonna do about Jenny era simplesmente: despachá-la para o Japão e entregar o título de protagonista para Sadie, pois a bitch consegue ridicularizar Jenna e ainda referenciar toda mitologia da série. As atuações cretinas da personagem, o clima de deboche em cada take, me fizeram rir em cada cena e desejar uma versão desse clássico que retiraria facilmente de Sharknado o título de melhor filme do ano.



Era de se prever que Jenna percorreria um caminho de rebeldia, fazendo tudo o que ela não pôde fazer a vida toda por ser a garota responsável e invisível. Colin representava essa possibilidade, de que ela obtivesse experiências além de seus limites.  Ele não era uma má semente, ou muito menos um vilão, e sim um cara maduro que em outro contexto seria perfeito para ela. Por isso, não encarei com revolta as atitudes do rapaz e muito menos o fato dele querer fazer um monange com as namoradas. Na cabeça dele e Dominique, aquilo seria algo sem complicações.

Com isso Jenna chega ao fundo do poço: sem amigos, sem namorado, e desacreditada pelos pais que sempre a tiveram com uma imagem correta. E mais uma vez a mitologia da série retorna, pois sozinha e precisando que os heróis se candidatem, Matt é o aquele que está lá, pois ser esse herói é tudo o que ele sempre quis ser.

Então começa a campanha para fazer tudo voltar ao normal, mas as consequências já estavam presentes e as marcas provocadas em um momento de insanidade também. De todas as agressões de Jenna, a carta aberta a Valerie foi a mais cruel. A conselheira sempre esteve ao lado da garota, mesmo não valorizada e com atitudes insanas, Val compensava sua própria solidão em uma relação sincera e honesta com Jenna. Ela sempre estava disponível para ouvir as narrativas egoístas da protagonista e sempre disposta a fazer o melhor por sua amiga.

 Por isso, odiei Jenna profundamente ao ver essa atitude, pois ela própria já havia sido vítima de palavras cruéis, então ela mais do que ninguém deveria saber o poder que algo assim poderia provocar em uma pessoa emocionalmente instável e frágil como Val.

A campanha falha, pois além de palavras durarem para sempre, Jenna não poderia voltar a ser a Old Jenna. Por mais que suas atitudes tentassem consertar seus atos praticados, existe sempre essa parcela de percepção, experiências e vivências que foram acrescentadas a sua personalidade. Não havia como voltar atrás, pois o movimento já havia sido feito. Temos sempre a imagem de que o passado é melhor, mas na verdade apenas nosso ponto de vista que se torna mais pessimista ou realista com o passar do tempo.

O significado da palavra carma está relacionado ao efeito que nossas ações provocam em nosso futuro, e tudo o que vai volta. E Awkward conseguiu repassar essa mensagem, que existem consequências. Jenna conseguiu recuperar a confiança de seus pais, de seus amigos, o emprego de Val, e teria sido um final feliz se Matt a tivesse ficado com ela, porém a vida não é assim. E embora, ela tenha acabado sozinha, sua jornada é concluída com um aprendizado, uma reflexão de que ela não pode voltar a ser quem era, mas que deveria se conhecer, e decidir sobre quem ela quer ser. Os dias ruins serviram para que ela aprendesse a valorizar os bons, a abandonar seu egoísmo, egocentrismo, e perceber que a melhor forma de decidir quem ela quer ser é observar os bons exemplos ao seu redor, destacando os amados coadjuvantes da série.

“Eu quero ser alguém disposto a perdoar”


Lacey é sem dúvida umas das melhores personagens da temporada, chamando a atenção em seu trabalho de enfermeira ou tendo que terminar com o namorado da filha. Colocando a série toda em perspectiva, percebe-se que ela evoluiu como mãe sem perder a imaturidade de seu espírito jovem. Assim como a filha, Lacey aprendeu com os erros que cometeu mais especificamente a carta, e percebeu que tão importante quanto o aprendizado era saber se perdoar para conseguir absorver a experiência vivida em sua completude.

“Eu quero ser alguém que se preocupe mais com os outros do que com eles mesmos.”


Como não amar Valzinha? A típica solteirona solitária com uma criação de gatos de pelúcia, Val sempre se preocupou com Jenna e Lacey como verdadeiras amigas.  Disposta a dar seus conselhos mesmo quando banida do ambiente escolar. Foi realmente triste vê-la no fundo do poço, trabalhando em uma loja de bugigangas e dividindo a casa com um serial killer.

“Eu quero ser alguém que diga a verdade como ela é.”


Sadie roubou a cena por várias vezes durante a temporada e conseguiu um lar, uma mãe adotiva e até um amor muito delicado. Ela e Austin funcionam muito bem como casal, pois trazem um contraponto entre uma inocência boba e uma agressão evidente. A única parte ruim desse plot, é que ela acabou por afastar a amizade da garota com Matt, que era outra interação nos mesmos moldes da primeira e que funcionava muito bem na série.

“Quero ser alguém que desista de tudo pelo motivo certo.”


Com uma temporada mais longa, Ming ganhou mais destaque e sua máfia asiática. Após destronar Becky, seu abuso de autoridade acaba por levar seu governo ao fim. A decadência, a conspiração e toda a resolução com a garota abandonando tudo por Fred Who se encaixaram com o clima mafioso. E agora, fica a pergunta de como o casal irá lidar com a ausência do drama e das intrigas.

“Quero ser alguém que ver o melhor nos outros.”


Com pouquíssimo destaque, Jake só ganhou um plot válido já na reta final, tendo a presidência estudantil retirada de suas mãos por Tamara, uma atitude egoísta por parte da garota que apenas queria provar um argumento.

“Quero ser alguém que é uma verdadeira amiga.”


Tamara é realmente uma grande amiga, tentando impedir Jenna de tomar o trem Amanda Bynes e ajudando-a na sua reabilitação e tentativa de retomar o relacionamento com Matt.

“Quero ser alguém que sempre tente ser uma pessoa melhor.”


É impressionante a evolução de Matt ao longo da série. De bobão que tinha vergonha de lutar por Jenna, ele se tornou um homem maduro, se recusando a brigar com Colin e agir estupidamente diante da traição. Embora se esperava que ele voltaria com a ex, a atitude dele de se abrir a uma novo amor com Bailey é totalmente sensata. Ele insistiu para continuar com Jenna, mesmo depois da traição e seria tolice ficar esperando por ela ou ainda tentar outra vez depois de todo acontecido. Ele avança, sem guardar magoas, permanecendo amigo e até pedindo a permissão da ex para seguir em frente.

 Sobre Bailey, ela surge como uma forma de dar a Jenna uma forma de repassar a mensagem sobre seus erros, porém ela ganha espaço e pode se tornar uma personagem interessante na próxima temporada, dando a Matt a possibilidade de sucesso no campo amoroso.


“E alguém que aprenda com os erros. Acho que só quero ser um pouco disso tudo para finalmente ser a garota que não precisa de um cara para se divertir. Porque eu sei dançar sozinha.”