Reign 1x22: Slaughter of Innocence



Tendo como grande inimigo a previsibilidade da sua obrigação com os fatos, Reign encerra seu primeiro ano de forma absolutamente elegante e coesa. Com desenvolvimentos significativos e diálogos elaborados, a série fecha a temporada gerando perspectivas, criando mais perguntas do que as respondendo, mas mesmo assim repassando a sensação de encerramento de uma fase.

Colocando o piloto em contraste com essa finalle, percebemos o quanto os personagens mudaram e não necessariamente para melhor. Todos passaram por transformações, sendo testados de várias formas e aqui vemos os reflexos dessa jornada.

Mary não é mais a garota inocente que nos encantou enquanto dançava ao som de Back to You, mas sim uma verdadeira rainha que precisa agir de acordo com as necessidades de seu povo. Seu coração não governa mais suas ações, e a personagem se aproxima muito mais do perfil de Catherine. O combate entre as duas ganha novas proporções, pois Mary se torna mais poderosa a cada episódio. E a decisão de se proclamar rainha da Inglaterra segue essa linha, pois caso fosse bem sucedida, a rainha da Escócia se tornaria a pessoa mais poderosa da Europa ao ter a disposição três países do continente. E com isso, torço que Elisabeth, filha de Ana Bolena, ganhe destaque nesta segunda temporada, pois a disputa entre as primas poderia render uma excelente história.

A grande surpresa dessa finalle foi sem dúvida a atitude de Francis em se fazer o algoz de seu pai. Sempre correto e firmemente contrário a ideia de assassina-lo (afinal, era o pai dele), meu queixo foi ao chão ao vê-lo tirar a armadura após acertar a cabeça de Henry com sua lança. Uma verdadeira transformação para o personagem que repete os passos de seu pai para alcançar o poder, e nos ensina que “traições as pessoas que amamos obscurecem nossa alma.”Historicamente, o rei da França foi morto nestas circunstâncias, e o fato de seu filho ter se feito passar pelo cavaleiro não altera o que será escrito nos livros de história. Com isso, os roteiristas mais um vez usam mão de sua licença poética de forma ousada e consistente.

Embora não seja um personagem que vá fazer falta, afinal ninguém gostava dele (certo?), não se pode negar que a crescente que pauta a morte de Henry foi deliciosamente instigante de se ver. Desde o incio de sua loucura com as mortes de suas amantes , o casamento forçado de Bash, o mergulho em seu passado de traumas e as sucessivas  tentativas de assassinato-lo, tudo se mostrou  muito divertido de acompanhar. Minha única reclamação e a falta de destaque para Diane de Poitier, a grande amante de Henry II, que mesmo em seu leito de morte não se esqueceu dela. Certamente, um golpe para Catherine de Médice que historicamente, impediu terminantemente que os dois tivessem contato durante os dias finais de seu marido.

Não é segredo o quanto o romance Greer-padeiro (Leith) sempre me empolgou. A dinâmica dos dois é algo cativante e agora chegamos a outro nível. Não duvidei que Leith houvesse morrido na demostração de guerra de Henry, porém ver Greer persistir em sua escolha ao rei da pimenta foi realmente irritante. “Nada mudou, apenas que eu senti a dor de perder você para sempre.” Certamente, eu entendo a atitude dela em satisfazer o desejo de sua família e também acharia uma p*#@ sacanagem se ela abandonasse Lord Pepper com quem simpatizo bastante. Não saberia como resolver a situação e acho ótima  a perspectiva de Leith em querer prosperar como forma de vingança por ter sido desprezado. E o que dizer de Yveth? Por enquanto, só posso dizer que ela me seduz.

Então chegamos a parte mais questionável da temporada: a Escuridão. Estava óbvio que a criatura seria humana e achei justa a justificativa de sua presença na floresta como uma forma de manter a figura dos sacrifícios para os deuses pagãos. Até este ponto OK. A tentativa de manter Pascal um sucessor nesta tarefa, Ok também. As falhas, ao meu ver, estão na incessante caçada ao mostro assim como a conexão com o plot da praga que se inicia. A impressão que fica é que a intenção era desenvolver esse arco, mas os roteiristas mudaram de ideia no meio do caminho. Enfim, todo plot envolvendo a Escuridão não cativou e poderia não ter acontecido na série, sem perda de conteúdo. Apesar disso, a relação Bash- Kenna é cada vez mais linda de se ver.

Quanto a Lola, tenho dúvidas se ela morrerá realmente, afinal a história de psedo-Julian pode render algo ainda. Porém, o parto difícil serviu para que Francis soubesse da mentira de sua esposa sobre a chegada de seu primogênito. Sobrevirá, o jovem rei e a mãe de seu filho a praga que se espalha pelo país? Veremos apenas na fall season.

A cena final deixa clara o que podemos esperar do segundo ano: a luta de poder Francis-Mary. Ambos são rei e rainha da França e Escócia, sendo jovens e poderosos e tendo que lidar com demandas políticas de ambos os países, e já vimos o que eles são capazes de fazer para proteger suas nações.

 Enfim, é isso.  Obrigado a quem acompanhou essa temporada comigo, no Box de Séries ou no Circuito em Série. Em outubro nos falamos de novo. E sintam-se livres para concordar ou discordar das minhas palavras, ai nos comentários. Abração, galera.

Coroa real nº 1: O abraço de Francis e Bash. Cena cativante.

Coroa real nº 2: Yveth me seduz.

Coroa real nº 3: Francisco, irmão de Henry, fantasminha camarada.

Coroa real nº 4: Escuridão prá quê?

Coroa real nº 5: Alguém explica o motivo da baixa audiência dessa série.