Masters of Sex 2x02: Kyrie Eleison [Review]


Em momentos de confusão e insegurança, geralmente, recorremos as nossas orações na tentativa de encontrar respostas. Neste sentido, Kyrie Eleison surge exatamente com essa proposta, a de buscar encontrar soluções testando possibilidades, pois diferentemente  do primeiro ano, ainda não temos uma argumento central definido para essa segunda temporada de Masters of Sex. Apesar disso, o show mantem sua força e delicadeza contrastantes que tanto nos seduz e instiga.
A maior prova do momento de transição da série é justamente o grande destaque às participações especiais, pois por mais que os casos do Dr. Masters sempre surjam nas tramas dos episódios, por poucas vezes o roteiro se dedicou tanto em explora-los. A única exceção foi o caso da mulher que sofria abuso do marido e pediu a William para realizar o procedimento de esterilização sem o conhecimento do cônjuge, uma trama que se relacionava diretamente com a do episódio. O que não foi o caso aqui, mas nem por isso retira o seu mérito, pois a postura de William e o envolvimento emocional de Betty justificaram todo o plot, e a construção acabou sendo muito bem concluída. Destaque para a participação de Betty que rouba a cena com sua petulância e ousadia. Quero que a relação dela com William permaneça, pois o contrate  entre entre as suas personalidades sempre gerou diálogos divertidos.
E em uma verdadeira adoletá, começamos pela interação Vivian-Austin, caracterizados pela sempre surreal visão de vida do ortopedista que mal acabara um casamento, após se envolver com a cunhada, já avista na loira uma nova possibilidade ao convida-la para conversar sobre “isso, aquilo”. Uma personalidade justificada em seu diálogo com Virginia quando ele os define como lobos que não conseguem seguir a alcateia, pois são imprevisíveis demais.  Foi estranho assistir essa cena e perceber o quanto este dois têm em comum, sendo realmente libertos e independentes demais para se prenderem aos padrões e opiniões alheias. Sendo assim torço para mais desenvolvimento dessa parceria, já que o texto deixa claro que não pode haver envolvimento romântico entre eles, embora essa perspectiva também seja instigante e a música de fundo dissesse “ let’s fall in love”. Enfim, fiquei balançado.

Neste contexto, Vivian se faz relevante pela primeira vez, pois a relação dela com Ethan nunca foi algo empolgante, diferentemente de uma possível relação com Austin. Ela tão controladora e neurótica, com ele tão esperto e sagaz. A sua postura com Virginia é realmente justificável, e o sua reação à tentativa de suicídio do pai foi realmente comovente. “Afinal, quantas vezes você sente o seu coração pesado e tudo parece tão sem esperança? Então, apenas por um momento você esquece que existem pessoas que te amam tanto... que você tem uma família.”
Tão comovente quanto, é ver DePaul sofrendo. Sua tentativa de combater a doença que lhe agride e lhe leva a morte é realmente de machucar o coração. Aqui, já podemos ver os efeitos do câncer se espalhando, e sua única amiga neste momento é Virginia. Alguém tão parecida com ela em sua independência e força, mas ao mesmo tempo tão distante em modos de enxergar a vida. Podemos vislumbrar um pouco mais de seu passado, de seu medo velado diante da morte e sua inconformidade com a injustiça da realidade ao seu redor. Já disse o quanto a relação das duas é cativante, e pelo que se percebe, podemos esperar muito mais de ambas nesta temporada.
Já a perspectiva de Libby é um pouco mais sombria. A personagem que sempre foi subjugada e emocionalmente abandonada surge mais forte e tenaz, reflexos da maternidade e de sua noção de que o filho não a tornara mais próxima do marido e sim o contrário. Com isso, a presença de Coral pode ser vista como uma tentativa de abordar outro tema relevante, pois a cena em que Libby corrige o modo de falar de sua empregada negra passou a impressão de certa dominação cultural.
Um pouco mais sútil é a postura de William em manter Virginia afastada do Memorial Hospital, mas ao mesmo tempo se sentir ameaçado pela proposta de trabalho que ela recebera do gastroenterologista. Que, aliás, o que foi aquele orgasmo deste médico específico enquanto ele segurava o Ulisses?  Chegou a ser mais bizarro que a secretária que se achava grávida depois de sentar em uma cadeira quente.
Enfim, um episódio poético, envolvente e carregado de significados que nos mostra uma lição em cada trecho e que nós “não somos nossas piores partes.”

Um comentário:

  1. Esta série Masters of sex ainda está criando polêmica por causa de seu tema, mas acho que se você realmente analisar que não é assim, é muito interessante

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