Primeiras Impressões: Crítica Império- Capítulo 1


Fazer uma avaliação de uma obra como Império, que possui duas fases distintas, se torna algo elaborado quando pensamos no fato de que em pouco tempo todos os atores irão mudar, os personagens irão evoluir, amadurecer e até a estrutura da produção não será a mesma. Neste primeiro momento, se torna uma tarefa difícil para o autor criar empatia, simpatia, mas ao mesmo tempo não fazer com o público se apegue profundamente a estrutura inicial e assim não sofrer um choque ao se separar com a transição (cof cof Em família). E  se existe um mérito desta introdução, é esse. 

A primeiro momento, Império já acerta ao colocar seu enredo em perspectiva, começando pelo presente para só então mergulhar no passado. Um presente muito bem contextualizado, com imagens envolventes, fotografia perfeita e um tom de mistério instigante de quem começa a contar uma história deixando o ouvinte curioso sobre o que levou aquele desfecho. Mergulhar no passado era mais do que necessário, afinal são os eventos ocorridos nesta etapa que nortearão grande parte da trama principal. No desafio entre realizar uma  mudança rápida e ao mesmo tempo envolver o público com os personagens, a solução é reduzir o núcleo e trazer uma narrativa ágil. E se Manoel Carlos levou uma semana para fazer Helena se separar de Laerte, em um capítulo, Aguinaldo leva seu protagonista da pobreza a fortuna passando por duas mortes, um amor perdido e uma gravidez.

Curiosamente, o principal erro de Império neste primeiro momento, é justamente esse. Construção. Embora eu ache que a história não haveria motivo para perder tempo com acontecimentos pouco relevantes, a pressa em acelerar os acontecimentos acabaram gerando uma sensação incômoda de superficialidade que beira ao surreal. A aproximação de Eliane e José Alfredo é do que estou falando. Ao assistir as cenas dos dois, passei a considerar absurda a aproximação do casal. José não tem o menor pudor em seduzir a esposa do irmão e nem chega a considerar seus sentimentos quando este se descobrir traído. O casal de amantes passa meses sob o mesmo teto, mantendo um caso sob a justificativa do amor verdadeiro. O argumento de que Deus sempre perdoa os amantes não convenceu e tudo pareceu muito errado do meu ponto de vista, embora o texto tentasse sugerir poético. 

Um efeito que transbordou na tentativa de construir sua vilã, pois ao encarar a atitude do protagonista como errada, Cora não pareceu tão cruel e má. Pelo contrário, as atitudes da personagem estavam alinhadas com uma humanidade crível, pois ela fez questão de defender sua irmã e o que ela acreditava ser a melhor opção para esta. E embora o texto fizesse questão de ressaltar a crueldade da personagem, neste primeiro momento, isto não foi  tão acentuado.

E que texto. Com diálogos poéticos e que em nenhum momento pareceram forçados, as falas dos personagens eram carregadas de simbolismo. José decidiu só parar quando chegasse ao fim do mundo. Um fim do mundo que parece mais o começo. Um lugar para o qual ele volta depois de morto, pois nem céu, nem purgatório. Ele retorna para vagar pelo começo de seu império.

Um texto tão rico que não chegou a ser comprometido por algumas interpretações. Mais especificamente de Vanessa Giácomo que é bastante talentosa, sem dúvida, mas que não convenceu com seu choro fraco e seu amor repentino, mesmo com o esforço redobrado da trilha sonora em tocar Paralamas do Sucesso em quase todas as suas cenas. 

Por fim, Império debuta em grande estilo, com uma estrutura sólida, enredo envolvente e a promessa de uma boa trama. 

9 comentários:

  1. De tdas as críticas q li, esta foi a única a salientar o q me pareceu óbvio: os furos mais q evidentes na dramaturgia do primeiro capítulo! Um sujeito tem tipo dois anos para colocar uma nova novela no ar e não consegue ter melhores ideias do q estas para um fim de romance e para tornar o "mocinho milionário? Vão me desculpar...

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  2. Começou bem, com seus clichês de sempre e tudo mais. Porém, o que realmente gostaria de ressaltar é situação de Robertão na novela, bem como toda a sua família. Vejo que os comentários em torno de Império giram apenas no campo do dinheiro, do poder, do sexo, da traição e do amor gay. Não vi, até agora, quase ninguém criticar a forma como a prostituição está sendo tratada nesta trama.

    Moralismos a parte, é a única coisa que vem me incomodando no folhetim, porque penso que o autor, com a conivência da Globo ávida por audiência, está sendo irresponsável ao abordar a questão. Pra piorar, a rede está promovendo a situação através do núcleo de humor da novela. O casal com ares de “Três Patetas” vendem os filhos abertamente em horário nobre e um tanto de gente está rindo disso. Adorando os shows do garotão iniciante a michê, com direito a aulas particulares em casa. A menina que deveria estar fazendo faculdade e iniciando uma carreira promissora, se rendendo aos encantos do seu “DONO”. O texto dos pais de Maria Isis e Robertão é didático. O argumento da exploração está entregue de bandeja. Quem quiser fazer o mesmo caminho é só reproduzir suas falas. Para muitos as aulas de exploração sexual dos pais de Maria Isis e Robertão são perfeitas. Dá pra praticar em casa. E este tipo de coisa influencia muita gente, sim. Tive uma diarista que me disse que: “se tivesse uma filha, faria com ela o mesmo que a chacrete fez com a Valdirene (Tátá Verneck) na novela Amor à Vida”. Criaria a menina para casar com um homem rico e ficar longe de trabalho, independente se o amasse ou não. Amor, para ela, “é o que se tem na conta bancária”. Caso real!

    Vejam só, em Império: os pais cobram financeiramente dos filhos o fato de tê-los criado, como se isso não fosse obrigação legal de quem põe alguém no mundo. Além disso, mentem, subvertem o caráter dos dois e, em nenhum momento, se fala em trabalho naquele grupo. A moça fica de calcinha em tempo integral aguardando o amante, enquanto o outro arrasta o chinelo rua afora exibindo sua indolência patológica. A rotina da família é planejada conforme a exploração do trabalho dos outros. O patrimônio alheio é roubado diariamente como se fosse normal. A teoria do “SE ME DÃO” é vivenciada pelos personagens de forma vulgar, banal e bem humorada. Esta é a pior parte: como é tratada de maneira cômica, a situação tem sido assimilada como normalidade, de forma divertida. Distraindo as pessoas da gravidade do que o fato envolve.

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    1. Ótimo comentário! Gostei da postagem. A novela é péssima, muita vulgaridade, exageros de maus exemplos, a trama é ruim demais só em torno de fofocas.

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  3. o olho do fiho do comentador nao sara mais
    sera que vai ficar assim ate o fim da novel

    ]a amante do comentador nao tem roupa ja esta chato esta moca toda hora pelada na novel

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  4. a novela foi linda no comeco com chay sueli lindo
    agora a novela esta chata

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  5. império dos baitolas... só tem viado!!

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  6. Eu acho que as novelas da tv globo já foram melhores, não tenho preconceito algum mas acho qee de um tempo pra cá as novelas só vem retratando de gays, e de como o mundo do dinheiro é.

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  7. Não tenho dúvidas de que será bem sucedido . Todas as séries da HBO são emocionantes e melhor, sempre falando de algo diferente.

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