Com final acelerado, Meu pedacinho de Chão encerra sua trajetória [Crítica]



Há algum tempo que o encerramento de um  programa de tv não conseguia provocar em mim a agridoce sensação saudosista de quem vê uma trajetória ser concluída com êxito, mas ao mesmo tempo percebe que a partir daquele ponto as coisas não serão as mesmas. Meu pedacinho de chão chega ao seu fim, abrindo precedentes em termos estéticos e deixando saudades devido aqueles cinco motivos que eu listei no inicio da novela.

Encerrar uma trama nunca é algo fácil, e a necessidade de fechar os vários arcos abertos em pouco tempo, acabou gerando um ritmo demasiadamente acelerado que quase comprometeu a delicadeza poética do show. A fuga abrupta de Serelepe, o casamento de Rosinha e a revelação sobre o pai do garoto foram inseridas de forma tão rápida que os cortes da edição por vezes refreavam o envolvimento emocional com os acontecimentos. Não que a fuga não seja justificada pelo medo do garoto em ser abandonado outra  vez, porém esse desenvolvimento pareceu estranho para quem acompanhava o tom lírico da novela. 

Como era de se esperar Juliana e Zelão finalmente ficaram juntos, mas foi justamente o romance Ferdinando-Gina que chamou a atenção. Assistindo a cena dos dois no campo de trigo e colocando a trama em perspectiva, é notável o quanto a "mulher-home" se sobressaiu na trama, conquistando o amor verdadeiro, mudando seu modo de agir mas sem perder sua essência rude e ingênua. Um caminho muito parecido com o do coronel Epa, que mesmo com seu jeito grotesco e intransigente, conseguiu conquistar minha simpatia, justamente por reconhecer seus erros a mudar certas atitudes, porém sem se perder no processo. O vilão que queria destruir a escola se revelou apenas humano.

O mais esperado desse encerramento era justamente a justificativa para tantas cores e distorções da realidade. Por ser a visão de duas crianças, esperei que nesse final toda a realidade se ajustasse e pudéssemos vislumbrar uma cidadezinha de interior, no tempo do coronelismo. Porém, Benedito Ruy Barbosa foi além e trouxe o seu mundo para um jogo, uma brincadeira, uma realidade criada por uma criança, alguém que não se prende aos detalhes, que explora todas as possibilidades desprendido da percepção de limites. Assim, plásticos viram roupas, gotas de chuva se transformam em penas e tudo se torna vida. Todos nós já fomos essa criança, e é esse resgate que torna Meu pedacinho de Chão tão memorável. 


2 comentários:

  1. Também gostaria que tivéssemos um final menos corrido e que dessem mais atenção ao casal Zelão e Juliana. É notória a predição de autor/diretor pelo personagem Gina ( a atriz é neta de Benedito). Durante toda a novela o personagem que mais evolui e prendeu muita gente foi Zelão, que de matuto escondido por detrás de sua "crina", se mostrou um homem sensível e de alma pura. Juliana através de se jeito conciliador, foi decisiva na mudança de quase todos os personagens, foi aos poucos deixada de lado e mesmo no final, foi quase que esquecida pelo autor/diretor. Enfim, a internet tem grande culpa por conta desses coisas, a medida que alguns fãs mais apaixonados, através de seus comentários insistentes, provocam situações que nem sempre correspondem a realidade. Para mim o grande casal dessa trama foi o amável Zelão e a doce professorinha Juliana.

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    1. Muito injusto para não dizer outra coisa o seu comentário de que o autor deu destaque a Gina na trama porque a atriz é sua neta.

      Paula Barbosa provou que é uma atriz talentosa e conseguiu conquistar a simpatia e a torcida do público e caso não saiba a Globo não se baseia na internet para saber o que o público gosta ou não. O Irandhir é um ator talentosíssimo e brilhou como Zelão, mas os seus fãs estão cansando com essa mania de querer diminuir outros atores da trama que também se destacaram para faze-lo brilhar mais, desnecessário Irandhir não precisa disso.

      E ficou evidente durante a novela que em termos de casal Gina e Ferdinando roubaram a cena, foi justo o destaque que eles receberam.

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