[Crítica] Dupla Identidade - Episódio 1




No combate entre expectativa e realidade o resultado é equivalência. Dupla Identidade cumpre sua proposta e traz um toque americanizado  a tela da Globo.

Sim, a primeira impressão que fica sobre a nova produção da emissora é a tentativa de reprodução dos formatos internacionais em seu novo seriado. O próprio tema central é ressaltado no texto como algo atípico da realidade brasileira, já que historicamente temos raros casos desse tipo de crime e o próprio personagem do Edu foi inspirado no psicopata americano Ted Bundy. Além disso, o show traz muitas características típicas do padrão internacional como narrações sobrepostas as cenas e o uso de tecnologia de ponta na solução dos casos. Diferentemente de sua antecessora O caçador,  que ressaltava  aspectos do cotiano do país, em Dupla Identidade  a sensação é de total distanciamento. 

Talvez devido a esse fato, algumas falhas não passaram despercebidas àqueles incapazes de "voar". Pois na tentativa de reproduzir os fatos em uma janela de tempo definida, a sequência de eventos pareceu ilógica. Afinal, o que aconteceu com o desfile? Rae abandona tudo e assim que sai da delegacia vai direto pra praia, e além disso passa o resto do dia com Edu que também já tinha se desobrigado de qualquer agenda de campanha de Oto. Afinal, por que uma modelo, amante de um político, anda sozinha pela rua de madrugada sem celular? Não teria sido mais sensato chamar um táxi. Tentei justificar essa lacuna, acreditando que possivelmente ela brigou com seu amante e saiu as pressas do local. 

Apesar desses detalhes, a de se concordar que o roteiro cumpriu sua promessa. A cena inicial lançou a proposta e a partir dali já era impossível não se envolver com o que estava acontecendo. A contextualização política funcionou perfeitamente dentro do enredo, e ressaltar os crimes como algo além de uma motivação comportamental mais baseada em  objetivos definidos de adquirir poder, fez o personagem de Edu extrapolar o limite de psicopata convencional. Afinal, a vítima do episódio cumpriu uma meta definida de proximidade com o senador e não foi escolhida aleatoriamente por sua beleza. Bruno Gagliasso estava no tom certo, diferentemente de Luana Piovani que não conseguiu passar a essência da personagem e embora não tenha sido caricata, também não se destacou. Que as narrações possam ser passadas a outros personagens. Já Debora Falabella, encantou do inicio ao fim na pele na delicada Rae.

Tecnicamente, a produção estava excelente. Trilha sonora, direção, edição, abertura e os intervalos com transições imersivas que na minha opinião foram uma charme. O único ponto negativo foi a incomodante fotografia escurecida e que ressaltava tons de verde fluorescente. Acreditei que  fosse um efeito passageiro da cena inicial, mas perdurou por todo episódio. Outro detalhe, é o horário. A Globo parecia não querer que o público assistisse, porém as menções  a série chegaram ao topo do twitter.

É isso. Se gostou de Dupla Identidade, deixa nos comentários suas impressões. 


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