Review Masters of Sex 2x03-05: Fight-Giants



Na tentativa de apontar novas direções, Masters of Sex parece perdida nesta segunda temporada e prolonga o desenvolvimento efetivo de seu enredo com o episódio Fight, e mesmo assim consegue um resultado brilhante. Embora a trama tenha se deslocado entre o caso do bebê com dois sexos e o dilema cotidiano de Virginia na criação de valores para seus filhos, a produção foca seu tempo em diálogos confinados em um quarto de hotel.

Esse recurso poderia ter prejudicado a imagem da série, sempre tão adulta e firme, porém o resultado foi exatamente o contrário devido as extraordinárias atuações de Michael Sheen e Lizzy Caplan. Ao longo de quarenta minutos, os dois nos seduzem com seu jogo de palavras e a forma envolvente de pronunciar cada sentença. Enquanto os dois se despiam um para o outro, não apenas no aspecto físico, mais emocional, vamos nos aprofundando sobre os aspectos mais sombrios de suas personalidades, seus aspectos mais críveis e que os fazem serem vistos como pessoas reais, não personagens. Por um momento, abandonei minha antipatia as atitudes de Masters assim como a admiração pela coragem de Virginia e vislumbrei o humano ferido pelo tratamento abusivo de uma educação autoritária e a mulher de coração partido pela hipocrisia e mentiras das relações humanas. E não foi preciso lágrimas chorosas e discursos abrasivos, pois tudo isso era nítido no olhar e na voz de cada ator.

Diante disso, o caso do bebê passou despercebido, servindo como uma complementação a altura da série, pois trouxe a verdade de consequências que a produção sempre retratou. Como eu comentei no episódio anterior, estava receoso que Masters of Sex se tornasse uma série de casos semanais, devido as recentes baixas no elenco.

Dirty Jobs traz a meu ver a essência do show e aquilo que há de mais valor na série: consequências. Temos o desenvolvimento do relacionamento de DePaul e Virginia e como é bela a amizade das duas. Por isso, é tão doloroso ver a médica sofrer em decorrência do câncer, se vendo sem esperanças e decepcionada pela única que está a seu lado neste momento. De fato, o que Virginia faz além do seu horário de trabalho não deveria repercutir sobre sua postura profissional, porém é totalmente compreensível a atitude de DePaul ao não enxergar na assistente alguém que continuaria sua pesquisa com o exame preventivo. Esta nunca foi uma batalha de Virginia, diferentemente do estudo sobre sexualidade.     

Em outra direção, Libby que ganhou meu coração na primeira temporada, agora desponta como uma personagem controversa. A única coisa que tenho a fazer é bater palmas lentas para os roteiristas ao introduzirem o tema de segregação racial por meio da personagem, que antes representava a ideia de opressão feminina. A cena em que ela obriga a empregada negra (Cora) a lavar o cabelo sob a alegação de que esta havia passado piolhos para seu filho foi inquietante de modo revoltante. É essa complexidade de caráter, esses tons de cinza em cada personalidade que fazem Masters of Sex uma das melhores séries em transmissão atualmente. Digo isso, pois também podemos perceber essas nuances em Austin ao vê-lo aconselhar Masters sobre seu relacionamento perigoso com Virginia.

O destaque desse episódio fica na forma como a transição narrativa acontece, pois não vemos chegar à mudança para o “hospital negro”. O tema étnico estava presente o tempo todo, mas se torna um arco central de forma gradual. E não poderia haver melhor tema a ser abordado. Como retratado em Giants, neste período, os EUA passavam por regime de segregação muito intenso, no qual a cultura negra era desvalorizada. Parece absurdo que um homem branco se recuse a sentar perto de um negro, mas existiam e ainda existem pessoas com mentalidades tão fechadas no que se refere a aceitar o outro. Um exemplo de filme que retrata esse tipo de assunto é Tempo de Matar, que se passa nos anos 70, ou seja, cerca de dez anos após a história de Masters of Sex.



Sobre Betty. Não havia dúvidas que a personagem renderia excelentes arcos, e aqui vemos mais uma vez seu conflito ao se aproximar daquela que é seu grande amor. Sinceramente, gosto do rei dos pretzels e prefiro a ideia deles adotarem um filho. Além disso, quero mais das interações Betty- William e Virginia-Austin. 

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