[Review] Reign 2×02/03 – Drawn and Quartered/Coronation


 Você era o rei que esse castelo precisava e eu a rainha que foi deixada para trás. - STUART, Mary.
Passada a contaminação pela morte negra, Reign retorna aos conflitos políticos e ao seu clássico jogo de influências que sempre a caracterizou, porém algo estranho acontece na dinâmica da série. Com a morte de Henry, Narcisse surge como um antagonista substituto, um mecanismo de oposição e subversão, porém embora o primeiro não fosse a figura mais carismática, é notória o quanto sua ausência é sentida em termos de roteiro. E para solucionar esse fato, por que não trazê-lo de volta, mesmo que como uma sombra da imagem do que fora?

No jogo da corte, Narcisse figura representando a nobreza, um dos pilares da monarquia. Combinados a influência da igreja, os nobres proviam suprimentos, impostos e principalmente domínio, pois seus subordinados seguiam suas convicções. Neste ponto, Reign retrata as consequências de desafiar essa classe, e que favores precisavam ser cedidos ou vendidos. Um escambo que sustentava ambos os lados. 

Como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, Nostradamus é aquele a ser responsabilizado pelo assassinato do filho do conde. As regras eram claras e a morte pelo esquartejamento era uma punição dolorosa a altura da dor de alguém que perdera seu filho. Óbvio que a vida do vidente seria salva, e foi exatamente nessa previsibilidade que Reign começa a perder seu ritmo acelerado. Estava claro que Mary viria para salvar o dia, como o fez tantas vezes, ressaltando uma fórmula pronta, recursivamente utilizada na produção. A partida de Nostradamus é mais do que coerente, pois ao ver-se desprotegido qualquer um seguiria seus passos. De fato, este destino já estava selado desde que o mago percebera seu erro ao prever a morte de Francis. E diante de todo esse contexto, Drawn and Quartered teve seu ponto alto na descoberta de Catherine de que seu filho virá a falecer em breve, e dessa vez, não há nada que ela possa fazer para impedir. Suas ações humanitárias em Coronation sugerem a certa convicção do momento em que ela assumirá o governo da França como regente.

Porém Francis não morrerá tão cedo, e enquanto isso deve enfrentar o desafio de acertar as contas com seu passado, mas especificamente, o fato dele ter usurpado o trono ao assassinar seu pai. Com isso, Reign cruza definitivamente as fronteiras do sobrenatural, trazendo um espírito caminhante entre os personagens, porém a repercussão deste fato ainda parece pouco promissora.


Outra trama pouco atrativa é o bastardo do novo rei, agora reclamado como herdeiro. Por mais que o show tenha em sua premissa um arcabouço adolescente e pautado no triângulo amoroso, a série sempre conseguiu ultrapassar sua proposta e trazer uma trama adulta. Porém isso tem se perdido, e além da ausência de consequências, os personagens parecem retroceder. Na primeira temporada, vimos Francis e Mary cruzar linhas morais e pagar o preço por essas escolhas, porém agora ambos tem se mostrado previsíveis e chatos. Uma tendência que tem acompanhado os demais, pois a ambiciosa Kenna agora se mostra totalmente devotada ao seu relacionamento com Bash, enquanto Lola, caracterizada por sua força e petulância, se perde em um arco pobre. Já Greer anda em círculos diante de seu relacionamento com Leith.

Ao tentar criar o cenário perfeito para a morte do rei e tendo em vista a imprevisibilidade de renovação da série, a produção acabou perdendo força neste início de temporada, e o arco central deverá se focar cada vez mais no embate entre a religião católica e a difusão do protestantismo, representado pelos novos personagens Narcisse e Louis. O que incomoda desta abordagem é o roteiro rebaixar a influência de Mary como uma sombra de Francis, quando em outrora o seu poder era equivalente ao exercido por Henry.

P.S. Alguém percebeu a tensão entre Mary e o Louis? Por favor, que a série não embarque em outro triângulo amoroso.

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