[Review] Reign 2x04 - The lamb and the slaughter



Sangue pagará por sangue.- Francis.

Depois de muito prolongar a existência desta fronteira, Reign parece ter finalmente cruzado os limites do sobrenatural e assumido a tarefa de desenvolver essa abordagem. Embora antes, os deuses da floresta, o monstro do castelo e a Escuridão tenham ganhado destaque recorrente no show, todos tiveram resoluções críveis e pautadas pela racionalidade. Porém, dessa vez os fantasmas já caminham sobre os corredores do castelo, buscando paz ou o pagamento para seus sofrimentos. Apesar disso, há dúvidas que os ladrões de alma representem realmente o outro lado. Considerando o histórico (cof cof Escurdão), existe uma grande chance de que estes sejam apenas farsantes em busca de recompensas ou as ordens de alguém como o Lorde Narcisse que objetiva conter o avanço do protestantismo. Porém, esta foi apenas uma introdução do arco a ser desenvolvida posteriormente, pois o foco do episódio estava na dinâmica mais incômoda da série.

Descaracterizada há tempos de sua maior qualidade, Lola finalmente recupera sua personalidade desafiadora, se colocando em embate direto com sua rainha e a lutar pela libertação de Stelle. Sua batalha baseada na empatia pela situação da esposa de lorde Narcisse era uma tentativa de tentar fazer pela garota o que ela não conseguira fazer por si mesma: se libertar. Sendo a mãe do filho do rei, sua liberdade está limitada e suas decisões não dependem apenas de sua vontade. A exigência de que Mary expusesse seus sentimentos, sua ira, teria sido a melhor cena do episódio se o que viesse a seguir não fosse carregado de emotividade. Estava mais do que na hora de que Mary explodisse, se revoltasse como uma mulher traída o faz, pois embora ela não tenha sido traída por Francis o foi pela sua dama. A relação entre elas fora resolvida de forma diplomática, com Mary aceitando os acontecimentos com a compaixão e temperança que a caracterizam, porém ninguém pode se conter para sempre e estava mais do que na hora de que sua paciência se esgotasse. Apesar disso, a dinâmica do triângulo continua sem empolgar.

A compaixão de Mary é tão forte que   ela resigna o luto pela perda de seu filho para não nublar o batizado do filho de Lola, aquela que pouco antes lhe virara as costas. Uma força de caráter impressionante, pois não imagino muitas mulheres que conseguiriam conter esse tipo de pesar. Um pesar que acompanha a noite, quando a lembrança da perda surge, as lágrimas caem e é hora de admitir que a vida que residia ali não existe mais. Sempre achei que Mary combinava mais com Bash, mas diante da cena final finalmente me vi convencido do casal Francis e Mary, principalmente agora que Bash figura como um coadjuvante.

Não importa o que exista no meu futuro, você sempre será minha luz. – Francis

Paralelamente a esses acontecimentos, Greer mais uma vez oscila entre seus pretendentes e toma a decisão mais acertada. Com Leith, ela estaria destinada a paixão adolescente e a incerteza dos próximos passos, porém com lorde Casteleroy, ela vislumbra a estabilidade financeira e emocional, além da possibilidade de que o afeto venha a surgir como surgiu para Bash e Kenna. Os diálogos entre os personagens foram postos de forma refinada e objetiva, um texto rico em detalhes e certezas.

Porque eu sei quem você é, ao invés de ficar me perguntando o que você ser tornará. - Greer


Apesar dessas reviravoltas, The lamb and the Slaughter ainda falha na proposta de guiar a série. Personagens como Kenna, Bash, Louis, Narcisse e surpreendentemente Catherine parecem alheios dentro do enredo e isentos de uma jornada definida ou uma função. Embora, a produção mantenha as características de roteiro e execução da primeira temporada, parece faltar à consistência e solidez do primeiro ano. 

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