[Crítica] A consistência técnica de Conselho Tutelar



Investindo cada vez mais na sua produção de seriados, que esse ano já conta com São José do Egito e a elogiada Plano Alto, a Record estreou na última segunda a exibição de Conselho Tutelar. Conforme o nome sugere, a produção se baseia na realidade do trabalho dos curadores, responsáveis por auxiliar na proteção de crianças e adolescentes. 

A primeiro momento, o que mais chama atenção na produção é sua consistência e o cuidado em tentar se colocar o mais próximo possível da realidade, pois a série faz questão de mencionar ter se baseado em fatos reais e depoimentos de profissionais da area fecham os episódios. Assim, somos colocados em torno de cenários e realidades tão familiares que é fácil associar a cenas e ambientes pelos quais circulamos em algum momento. Porém, a qualidade cenográfica não é o seu ponto mais forte, pois a edição faz questão de nos imergir naquela história, com destaque para paralelização de cenas com mesmo ritmo e relacionadas, tão pouco utilizado nos produtos nacionais. Tudo ressaltado por um texto excelente, embora as situações e alguns personagens soem exagerados em certas ocasiões. 

Gerar uma dinâmica entre um jovem e um experiente curador foi certamente uma das decisões mais acertadas da série. Pois ao passo em que Cesar age impulsivamente, tentando salvar o mundo a cada cena, Sereno age como uma força plana ao mostrar que as ideologias do jovem devem ficar na sua mente, porém suas ações só terão efeito quando colocadas com sutileza, obedecendo as regras envolvidas e percebendo que nem todos terão as mesmas atitudes que eles. Em um ambiente que juízes, promotores e repórteres tem seus papéis a cumprir, Sereno entende que a realidade  do conselho tutelar é bem diferente quando vista de perto e mostra saber os caminhos para conseguir que seja feito o que é preciso. Essa combinação é valorizada por personagens igualmente verosimilhantes, como a encantadora "abelhinha feliz", que contrapõe uma personalidade séria e delicada, quando necessário. Certeza que você conhece alguém com uma jeito muito parecido ao dela. 

Com isso, Conselho Tutelar se destaca como uma das produções nacionais desse ano, justamente por seu aspecto realístico. Em seu primeiro episódio, vislumbramos os universos de adolescentes viciados em crack e de crianças violentadas por aqueles que supostamente deveriam protege-las. Realidades presentes de forma silenciosa ao longo desse Brasil e que precisam ser destacadas para que coisas assim deixem de se acontecer. 

Por fim, detalhe para como a produção conseguiu lidar com as restrições da emissora dos bispos  em termos de temática e texto, trazendo um roteiro consistente e elaborado. 

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