[Crítica] Além do Tempo



Há cerca de dois anos, a Globo parecia empenhada em inovar a narrativa de suas novelas, afastando-as da estrutura tradicional de folhetins e tentando aproxima-las a formatos mais dinâmicos e menos óbvios, como foi o caso de Além do Horizonte e Meu pedacinho do Chão <3 . O resultado dessas propostas não foi bem acolhido e a atual tendência parece retornar para o modelo convencional, aquele cujo desenvolvimento obrigatoriamente possui um herói rico, a mocinha pobre, o amor impossível e uma vilã maquiavélica. Se pararmos pra pensar, I love Paraisópolis e Além do Tempo possuem uma simetria estrutural quase indistinta, e esta última poderia facilmente entrar para o grupo de novelas que não lembraremos daqui há um ano, se não fosse por um simples fato: a ousada proposta de abordar um amor que transcende o tempo, realizando um salto temporal não de alguns anos, mas de vidas. Caso você ainda não saiba, após o capítulo 70, a trama será totalmente reajustada para os tempos atuais, e Lívia e Felipe se encontrarão em suas outras vidas, tendo mais uma oportunidade de serem felizes (ou não) juntos. Obviamente, um artificio tão inusitado possui seus riscos como a possibilidade de deixar o público confuso ou afastar aqueles que compraram a proposta de assistir um novela de época, mas deixarei pra comentar sobre esses aspectos quando a transição acontecer, se acontecer pois vai quê..

Falando especificamente do primeiro capítulo, o que pode-se dizer é que Além do tempo é um charme em termos técnicos. Com fotografia belíssima,  direção dinâmica com suas cenas iniciando em plano sequência e movimento ascendente e uma cenografia imersiva, o telespectador mergulha junto com os personagens em cada cena. Tudo para contextualizar ao máximo sobre o que é a história, que sim, é um típico drama do amor juvenil.  

Quase que didaticamente, Elizabeth Jihn faz questão de ressaltar o dilema de Lívia diante de sua falta de vocação para a vida religiosa e os motivos de sua mãe (Olívia) em  querer afasta-la de Campobello. Com isso, Felipe assume apenas a função de salvar a mocinha no último momento, de forma que o maior feito deste primeiro capítulo é me deixar curioso sobre o romance de Olívia e Bernardo e a consequentemente morte deste, uma história que pareceu muito mais interessante. Não estou querendo dizer com isso que a novela é ruim, apenas óbvia. Além disso, a trama também se propõe a discutir o preconceito contra os negros no período pós abolição da escravatura, um elemento inserido discretamente no texto.

Mesmo sem ter revelado muito, Além do Tempo possui sim bons argumentos a seu favor, pois tramas que abordam o espiritismo tendem a ser bens aceitas, como foi o caso de Jóia Rara ou Alma Gêmea. A perspectiva do salto temporal me parece muito interessante a princípio , pois da margem a comparações, embora cesse quase que complemente o enredo até esse ponto. Eu estou curioso.Vamos esperar o resultado. 


8 comentários:

  1. Com certeza preferia que não houvesse transição temporal... gosto da novela por ser de época... e a história ficar sem final não é legal, na primeira fase, a vilã (Melissa) não deve sair ganhando... alem do que na segunda fase a proposta é que ela já esteja casada com Felipe, então vamos mais uma vez torcer por desfazer casamentos...

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    1. Sem contar que a linguagem da época é o que encanta..e os personagens que fazem toda a composição se perderão na próxima fase, contudo estou curiosa no desenrolar da trama

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    2. Sem contar que a linguagem da época é o que encanta..e os personagens que fazem toda a composição se perderão na próxima fase, contudo estou curiosa no desenrolar da trama

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  2. Estava tudo muito bem na novela, achei que a transição temporal, mostrando a parte espiritual, seria legal, mas quem esta escrevendo a novela não sabe nada de espiritismo, é um ignorante no assunto. Um mentor que se materializa, vira um personagem da história e começa a interferir nos assuntos dos encarnados como um encarnado também! Ele só está fazendo com que aqueles não conhecem o espiritismo, zombem da doutrina.

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  3. Há muito tempo eu não acompanhava novelas, e ao ver essa novela eu me encantei com sua primeira fase. Cenários e figurinos lindos, misturados com uma trama que envolvia e atores excelentes. Porém a transição foi péssima! Muito da antiga historia simplesmente se perdeu, faltou uma finalização bem feita, dando rumo aos personagens, sem contar que mostra reencarnações nada evoluídas até o momento, não vejo muito sentido em retorno carnal que não parece alterar em nada o comportamento e manter a mesma essência ruim, então pra que voltar não é mesmo? Continuo assistindo na busca incessante de ver algo que me empolgue novamente, porém já começo a perder as esperanças e muito provavelmente também vou perder meu interesse na novela, afinal repetir tudo só usando roupas diferentes é ficar assistindo a mesma coisa duas vezes, o que não é nada interessante.

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  4. Essa novela ficou "podre" tá muito ruim ,não tem nada que te apegue a continuar a assistir.

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  5. Essa novela ficou "podre" tá muito ruim ,não tem nada que te apegue a continuar a assistir.

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  6. Gente, essa novela está à deriva. Salvem a novela ! Virou "tititi" de interiorzão, tá sem-graça e indigesta... Medíocre !

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