[Crítica] A Regra do Jogo



Na semana passada, estreou na Globo a nova novela das "nove"  que passa as dez, porém ao invés de fazer uma crítica com base apenas no primeiro capítulo, dessa vez, resolvi esperar para colocar minha opinião sobre algo mais consolidado. A Regra do Jogo estreou sob a forte expectativa de recuperar a audiência perdida no horário além de vir vinculada ao nome de João Emanuel Carneiro, autor da última novela mais bem sucedida da emissora, Avenida Brasil. Em uma semana, a conclusão é que o autor ainda terá muitos desafios a enfrentar, não só pela baixa audiência mais como o combate com a novela bíblica da Record e os folhetins infantis do SBT, canais que saíram fortalecidos com o desastre que Babilônia causou na programação da Globo. Para completar, a trama, apesar de não parecer ruim, está longe de empolgar e falha em aspectos fundamentais como a ausência de um enredo principal bem definido, a presença de uma vilã marcante além de núcleos cômicos de baixo carisma.  A marca João Emanuel Carneiro está lá, mas parece haver cautela ou timidez no roteiro. E é essa falta de ousadia que torna a novela inexpressiva e sem apelo. 

Em Avenida Brasil ou A Favorita sabíamos desde o principio sob que argumento se sustentava a trama, porém, em A Regra do Jogo, o embate entre os personagens que de alguma forma estão relacionados a chacina ocorrida há mais de dez anos não parece claro ou não gera uma perspectiva sobre o que o enredo tem a oferecer. Embora em qualquer jogo de xadrez você não arrisque suas melhores peças nos primeiros movimentos, na trama, esse movimento de peões acaba tornando o desenrolar frouxo, principalmente devido a falta de atitude daqueles que deveriam movimentar a cena.  Atena, estou falando com você.   A ideia de mostrar personagens ambíguos é realmente excelente. Ao se desprender dessa definição de bem e mal e trazer uma protagonista capaz de roubar ao invés de ficar com cara de sofredora, realmente tendemos a simpatizar com os personagens. Mais do que isso, somos surpreendidos quando o próprio protagonista se revela o grande manipulador capaz de orquestrar o assalto a um banco. Porém, essa complexidade não é o caso de Romero Rômulo que é apresentado muito mais como um bandido que se finge um homem de caráter do que alguém cuja ética oscila conforme as situações são apresentadas. Até agora, não vejo bondade no personagem. 

Enquanto isso, vemos Atena totalmente deslocada da trama principal e da interação com outros personagens em um tentativa de mostrar a falta de escrúpulos e moral da loira, porém todo o golpe contra Sumara parece alguma história de filme de comédia nacional com personagens caricatos. Giovana Antonelli é uma ótima atriz, sem dúvidas, mas a sua tentativa de imprimir uma marca a sua personagem adicionando uma risada forçada e a forma debochada de falar acabaram tornando Atena em um elemento comparável a personagens de Zorra Total. Em uma semana, já adorávamos odiar Carminha por ter destruído a vida de Rita e abandona-la no lixão, aqui vemos uma vilã que está mais para núcleo cômico. E nesse ponto, A Regra do Jogo erra feio, erra rude. As tramas periféricas parecem totalmente dispensáveis sem perda de conteúdo. Pelo contrário, os núcleos envolvendo Feliciano (Marcos Caruso) e Mc Merlô (Juliano Cazarré) não convencem e não empolgam como alívio cômico.

A ideia de dar nomes ao capítulos é realmente excelente e funcionaria muito bem se estes fossem realmente fechados em pontos específicos como ocorre na maioria das séries, mas que é praticamente impossível de ser feito em uma trama tão ampla como uma novela. Em termos técnicos, percebe-se o quanto a Globo prezou na produção da novela, seja na caracterização da favela chique, Morro da Macaca, seja na direção ou trilha sonora. Por enquanto, A Regra do Jogo ainda não empolgou  e o tempo está correndo para que a trama conquiste o público. 

3 comentários:

  1. Realmente eu assisti pelo autor, pois a Favorita foi incrível!! Mas fica tudo indefinido e caricato mesmo. Não sei se determinadas coisas ele faz de propósito pra acordar o público de tipo "é só uma novela, é ficção"... pq tem coisas absurdas e sem sentido, como de repente o Breno aparecer vestido de mulher(?) do nada, sem razão. Coisas que acontecem e depois desaparecem sem ter pq. Aquele bandido que manteve pessoas reféns em um restaurante e o Romero o ajudou. Aquilo ali, era um gancho bacana de ser utilizado e pronto, entrou e saiu sem maiores explicações. O fato da Kiki ser mantida refém por conta própria, a ingenuidade forçada da Desabeba, que é escolada...prostituta, já teria sacado o Zé Maria de primeira, aquela insossa da Tóia, que não sei se é a atriz que é muito ruim ou a personagem que é ridícula, que não convence a boazinha, sempre mudando de lado conforme convém.E que qualquer retardado perceberia juntando as evidências que Romero é da facção....menos ela...aaah para....tá muito forçado!

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  2. A novela está no final, e foi péssima, um bando de mulheres histericas na casa do Gibson, o cara só podia ficar doido um neto policial que não descobre nada e para finalizar Atena e Romero devem ser presos ou um matar o outro

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  3. As novelinhas da Globo estão muito fracas

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